Nathália terminou de ler a última linha com a respiração presa.
Os dedos ainda seguravam o papel com cuidado demais.
Como se a carta pudesse se desmanchar.
Como se fosse algo vivo.
As lágrimas caíram antes que ela percebesse.
Uma.
Depois outra.
Pingaram no papel.
Ela levou a mão à boca, tentando abafar o som que queria escapar do peito.
Não era um choro escandaloso.
Era aquele que vem de dentro.
Silencioso.
Dolorido.
Bonito.
Porque não machucava.
Acolhia.
Ela enxugou o rosto às pressas.
Mas era inútil.
O coração estava apertado demais.
Isabella não tinha escrito com ciúme.
Não havia ressentimento.
Nem cobrança.
Havia amor.
Havia cuidado.
Havia… generosidade.
Uma mulher falando com outra.
De um lugar que não era de disputa.
Mas de paz.
Nathália fechou os olhos por alguns segundos.
Respirou fundo.
Sentiu a culpa chegar primeiro.
Por ter sentido ciúme.
Por ter sentido aquele frio no estômago.
Por ter pensado — nem que foss