O sol nasceu, mas a casa ainda parecia presa à noite.
Uma noite que se recusava a ir embora.
Ninguém havia dormido.
Eu me revirava na cama, o corpo exausto e a mente em alerta, revivendo flashes desconexos: o clarão repentino, o cheiro acre de pólvora impregnando o ar, o grito distante que ecoava como um erro que não podia ser desfeito.
Levantei antes de qualquer chamado. Vesti a primeira coisa que encontrei — uma blusa amassada, um shorts jeans — e desci descalça.
Funcionários recolhiam os destroços da noite anterior em silêncio contido. Taças quebradas espalhadas pelo chão como restos de um sonho interrompido. Flores murchas, pisoteadas. Um pedaço do letreiro Feliz Ano Novo tombado de lado, torto, quase irônico.
Nada ali parecia novo.
Tudo parecia deslocado. Danificado. Como eu.
Vi Lorenzo passar pela varanda, o telefone colado à orelha, o olhar fixo em algum ponto distante. A voz dele era firme, controlando algo que claramente estava fora de controle.
Minutos depois, me c