Pedro ainda falava animado sobre o carro novo — um modelo esportivo de alguma marca que eu nem lembrava o nome.
Lorenzo, no entanto, parecia estar em outro lugar.
Os cotovelos apoiados na mesa, a postura relaxada demais pra disfarçar, e os olhos... Deus, aqueles olhos.
Famintos, fixos em mim, como se o jantar, Pedro e o mundo tivessem sumido.
Era um olhar que prometia terminar o que ficou inacabado — no spa, no avião, e em cada silêncio que a gente ainda não tinha tido coragem de romper.
— Você tá ouvindo, Lorenzo? — Pedro interrompeu o próprio discurso, rindo. — Cara, eu tô aqui há uns cinco minutos falando sozinho!
Lorenzo ergueu o olhar lentamente, a expressão neutra demais para ser convincente.
— Estou ouvindo, sim — respondeu, mas o tom de voz saiu rouco, como se cada palavra tivesse que atravessar um deserto.
Pedro arqueou uma sobrancelha, notando o clima. O olhar dele foi de Lorenzo pra mim e de volta pra Lorenzo, com um sorriso que entregava mais do que devia.
— Ah, entendi...