O jantar estava marcado às oito, e eu passei boa parte da tarde tentando me concentrar no trabalho dentro daquela biblioteca — sem sucesso.
Cada vez que olhava o relógio, a sensação de estar prestes a uma entrevista de emprego voltava — só que dessa vez, o recrutador era uma matriarca italiana que provavelmente já sabia mais sobre mim do que eu jamais saberia sobre ela.
Abri a mala e fiquei encarando as roupas. Nenhum vestido parecia “certo” para conhecer Elisabetta Castellani, a mulher que Lorenzo descrevia com reverência e um certo medo.
Acabei escolhendo algo simples, mas elegante: uma saia de tecido leve, uma blusa branca de seda e um colar discreto.
Enquanto me arrumava diante do espelho, tentei disfarçar o nervosismo.
— Ela é só uma senhora, e você já enfrentou os maiores empresários do país... você vai sobreviver, Mila — murmurei pela terceira vez, tentando me convencer.
As portas de vidro da sala de jantar principal davam vista para o jardim. O som de pneus sobre o cascalho