As palavras de Vittorio ainda reverberavam na minha cabeça, misturadas ao brilho dos lustres e aos olhares curiosos que iam e vinham pelo salão.
Lorenzo se aproximou devagar. Parou ao meu lado e inclinou o rosto até perto do meu ouvido.
— O que foi? — perguntou, em voz baixa.
— Nada… — menti, forçando um sorriso. — Só tô um pouco sem jeito.
Ele se afastou o suficiente para me olhar de verdade, se inclinando no balcão do bar.
— Sem jeito?
Olhei para minhas mãos, diminuindo o tom.
— Com esses olhares todos… — confessei. — Sei que deve ser impressão minha, mas parece que o salão inteiro tá me avaliando.
O olhar dele mudou, mas não havia irritação ali.
— Então vem cá.
Antes que eu pudesse entender, ele entrelaçou nossos dedos e me puxou pelo salão. A música pareceu crescer de repente — ou talvez fosse só o coração batendo alto demais dentro do meu peito.
— Lorenzo, o que você tá fazendo? — sussurrei, um riso nervoso preso na garganta.
Ele parou no centro, virou-se para mim e s