~ Marcos ~
O primeiro cigarro queimava devagar entre os meus dedos quando vi as fotos.
A tela do celular refletia o rosto dela envolto em luzes de Natal, o vestido vinho colado ao corpo, o sorriso aberto, vivo demais.
E ao lado dela, ele.
Lorenzo Castellani.
Rico. Elegante. Confiante.
O tipo de homem que a sociedade aplaude e chama de salvador.
Traguei fundo, deixando a fumaça descer arranhando a garganta, e por um instante o gosto amargo me acalmou. O feed era uma sequência de insultos disfarçados de felicidade.
“Casal do ano.”
“Que história linda.”
“Eles merecem ser felizes.”
Merecer ser feliz.
Que patético.
Como se eu não tivesse tentado dar isso a ela.
Passei dois anos imaginando o dia em que Mila apareceria de novo. Dois anos criando versões, cenários, discursos. E quando finalmente aconteceu, foi assim: no colo de outro homem. De um homem que não sabe quem ela é de verdade. Que nunca viu seus acessos de raiva, as inseguranças disfarçadas de ironia, o jeito como ela