~ Lorenzo ~
Aquela reunião tinha tudo para ser só mais um martírio corporativo de fim de ano, mas o clima estava tão denso que parecia que a sala de conferências tinha perdido o oxigênio.
Beatrice conduzia o telão com a precisão cirúrgica de quem sabe onde cada centavo da Castellani dorme.
Minha irmã tinha esse talento frio e matemático. E aquele talento estava inquieto.
— Esses números não fecham — ela disse, cruzando os braços com aquela postura de CFO que não aceita ser contrariada. — É desvio. Pequeno, mas consistente. Pequeno o suficiente pra parecer erro.
Um burburinho nervoso tomou a mesa. Antônio tentou aliviar.
— Talvez seja falha contábil, atualização atrasada…
— Ou não — cortou, seca. — Se isso virar bola de neve, o conselho vai exigir culpados.
Culpado, no singular. Essa merda vai cair em mim, no CEO.
Eu respirei fundo e mantive a expressão impassível, mas por dentro cada palavra ecoava como prenúncio. A Castellani estava em expansão e qualquer deslize agora era m