A primeira coisa que senti ao acordar foi o peso. Um cansaço denso, que não vinha do corpo, mas da noite inteira comprimida dentro de mim. A cabeça latejava, e o gosto amargo do vinho ainda insistia em ficar.
O quarto estava silencioso demais.
Virei devagar, com receio do que ia encontrar, e vi Lorenzo sentado ao meu lado na cama. Estava recostado na cabeceira, o corpo levemente inclinado para frente. Dormia mal, num sono raso, como quem não se permitiu desligar completamente.
Ele tinha ficado.
A constatação me atravessou com força. Um alívio quente misturado a uma vergonha aguda, quase física.
Alguns flashes começaram a voltar em ondas desconexas: o vinho escorrendo pelo chão, a briga com a Lis, minha voz ao telefone, embriagada… e depois o toque firme dele me guiando até o quarto, ajeitando o cobertor sobre mim como se eu fosse algo frágil demais.
Quando me mexi, o colchão cedeu levemente, e Lorenzo despertou no mesmo instante, como se estivesse programado para isso. Os olhos e