O escritório parecia ter sido atacado por um duende hiperativo do shopping. Pisca-piscas discretos nas janelas, guirlandas penduradas nas portas, um pinheiro enorme na recepção com enfeites brilhantes…
Mas meu humor natalino estava mais para o Grinch antes de conhecer a Cindy Lou.
Caminhei pelo corredor com uma pasta na mão e uma sensação incômoda no peito. Aquelas decorações todas não combinavam com o caos dentro de mim.
Depois da viagem, trabalhei mais uma semana inteira no escritório, tentando provar para mim mesma que estava tudo bem.
Não estava.
Quando meus pensamentos começaram a virar areia movediça — e minha paciência com gente se dissolveu — pedi duas semanas de home office.
Moreira torceu o nariz tão forte que achei que ia voar a outra sobrancelha.
— “Home office de novo, Mila?”
— “Eu sei, Moreira. Mas eu entrego tudo.”
— “Você sempre entrega. Mas isso vira hábito.”
— “Eu não sou tua empregada de fábrica. Sou sua executiva de criação.”
Ele fechou a cara, mas assino