CAMILLE
O corredor até o fundo do galpão parecia mais longo do que era.
As pernas de Camille ainda tremiam, meio dormentes pela falta de circulação, meio pelo medo que insistia em apertar a garganta. O barulho dos próprios passos parecia ecoar alto demais no silêncio úmido daquele lugar.
Nathan caminhava atrás dela.
Não tocava, mas estava perto o suficiente para que ela sentisse, como uma sombra colada às suas costas.
— Devagar, doutora. Ele murmurou. Não quero que você caia.
Camille ignorou, focando a visão na porta metálica estreita alguns metros à frente. Uma luz fraca escapava pelas bordas.
O “banho”. Ou o que quer que eles tivessem improvisado para chamarem disso.
Ela empurrou a porta com dificuldade. Uma pequena sala se revelou, paredes de concreto, uma lâmpada pendurada, um ralo antigo no chão e um cano no alto com um registro enferrujado.
Quando girou a válvula, a água caiu quente.
Quente de verdade.
Camille não estava preparada para aquilo.
Nathan encostou no batente, braços