Mundo de ficçãoIniciar sessãoSara Salles, 25 anos, é uma jovem advogada tentando sobreviver às dívidas, à ansiedade e ao início frustrante da carreira. Sua única válvula de escape é Allan, o irresistível vizinho com quem mantém uma relação sem compromisso. O problema é que Sara está começando a querer mais. E quando um novo homem entra em sua vida, ela descobrirá que controlar o coração pode ser muito mais difícil do que controlar uma crise.
Ler maisSe você acha que a pior fase da vida estudantil é o TCC, eu gostaria muito de te dizer que aquilo é só o aquecimento. O inferno de verdade começa depois: recém-formada, sem contatos, sem grana e com a anuidade da OAB te sugando todo mês.
Há um ano e meio eu sou a Doutora Sara Salles. Vinte e cinco anos, bacharela em Direito, endividada, quase sem clientes e com crises de ansiedade que só param quando um corpo quente está em cima do meu. A vida amorosa? Um fracasso completo. Fecha o pacote. Alguns anos atrás eu ainda era só a Sara: universitária tentando conciliar estudos e um namorado exigente, sempre me esforçando pra agradá-lo, esperando pelo menos morar junto, ter companheirismo, apoio. Hoje não tenho mais nada disso. Só dívidas, silêncio e o barulho que atravessa a parede do meu quarto. Mudei pra este apartamento há um ano. Fica perto do centro comercial, tem movimento, e a placa humilde na varanda já me rendeu alguns casos — o suficiente pra pagar o aluguel. No dia da mudança meu ex ainda estava comigo. Foi quando descobri que eu e o vizinho dividíamos a mesma parede do quarto. Era quatro da tarde, sol escaldante do Rio batendo forte. E mesmo assim dava pra ouvir. Gemidos altos, molhados, desesperados, atravessando o reboco como se a parede fosse de papel. Mulheres diferentes quase todos os dias. Eu me arrependi na hora de ter alugado aquele lugar. Imaginei atender cliente com o som de alguém gozando do outro lado. Maravilha. Demorei dois meses pra conhecer o dono daqueles gemidos. Cabelos pretos na altura do pescoço, alto, olhos âmbar intensos. Não era malhado, mas o corpo magro e definido chamava atenção. Descobri rápido por que nunca era a mesma mulher. No dia em que terminei com meu ex, a discussão foi feia. Ele não aguentava mais minhas crises. Eu não aguentava mais o sexo sem vontade. Subi as escadas já tremendo, o peito apertado, a falta de ar me dobrando no meio do caminho. Me agachei, abracei as pernas, tentei controlar a respiração. Quando levantei o rosto, ele estava no topo da escada. Desceu devagar, sem desviar os olhos dos meus. Se agachou na minha frente. Não me tocou. Não falou nada. Só ficou ali, perto demais, o cheiro dele misturado com o calor do prédio, esperando eu voltar. Minha respiração acalmou aos poucos. O aperto no peito cedeu. E quando consegui falar, a resposta saiu sem filtro: — Agora estou. Ele estendeu a mão. Eu peguei. Naquela noite a parede não ouviu outra mulher. Ouviu a gente. Ele me puxou pela cintura assim que a porta fechou, boca quente, língua exigente, mãos já por baixo da blusa. Eu ainda tremia da crise, mas o tremor mudou de lugar. Virou fome. Ele me encostou na parede que separava nossos quartos e me fodeu ali mesmo, sem pressa de chegar na cama, só com a urgência de quem sabe exatamente o que o corpo do outro precisa. Cada estocada apagava um pouco mais a ansiedade. Cada gemido meu era resposta direta ao aperto que eu carregava no peito há meses. Quando gozei, foi seco, forte, quase dolorido de tão necessário. Ele veio logo depois, enterrado fundo, respiração quente no meu pescoço. E pela primeira vez em muito tempo, o silêncio dentro da minha cabeça foi completo. Desde então a gente se encontra assim. Sem promessas. Sem cobranças. Só corpos se reconhecendo no escuro, minha ansiedade se dissolvendo entre as pernas dele. Eu finjo que não percebo como cada toque me prende mais. Como cada noite me deixa um pouco mais viciada nesse ciclo. Mas uma coisa eu já sei: quando se vive no limite o tempo todo, qualquer próximo passo pode ser o precipício.Fui recepcionada pelo sorriso caloroso de Letícia, que rapidamente colocou uma venda em meus olhos.— Mulher, se acalme! Você irá me fazer pagar mico logo no meu primeiro dia? — indaguei, no entanto não conseguia parar de sorrir também.— Relaxa, menina. Quase não tem ninguém aqui ainda. Vem.Ela me guiou pelo corredor. Eu tremia de ansiedade e felicidade. Quando minha mão tocou a maçaneta do que seria meu paraíso profissional, uma voz rouca e grave cortou o ar.— Dr. Menezes, que show é esse na frente da minha sala?Imediatamente retirei a venda dos olhos para ter a visão do homem mais lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida, pessoalmente, é claro.Meus olhos passearam por toda a extensão do corpo dele sem que eu pudesse controlar. Louro, olhos azuis, com uma barba perfeitamente desenhada para o queixo forte e quadrado. Na tentativa de não dar muito na cara, foquei meu olhar em seus ombros. Eu nunca havia visto um homem daquele tamanho todo. E olha que, para mim, todos com m
O mês passou voando. Hoje é dia de mudança. O novo apartamento é incrível. Condomínio com academia e piscina. Letícia está me alugando pelo mesmo valor do antigo. Me sinto desconfortável com isso, ela sempre foi mãezona demais , mas assim que eu me estabelecer, pago o preço justo. Allan veio ajudar, mas passou o dia inteiro estranho e calado. Se eu soubesse que seria tão incômodo, não teria deixado ele vir. À noite, exaustos, estávamos no sofá comendo pizza quando eu quebrei o silêncio. — Então… devo presumir que a minha mudança mexeu mais com você do que eu pensei e que você vai se afundar na solidão sem a minha ilustre pessoa abrilhantando o seu dia a dia. Ele me encarou com aquele olhar que eu detesto. — Você tem que parar de ser teimosa e procurar um psicólogo a partir de agora. — Allan, eu estou bem. — Você não está bem e sabe disso. Suas crises podem até ter diminuído de frequência, mas quando acontecem são mais intensas. Agora, com essa distância, vai ser mui
— Então, doutora, como é esse novo emprego? — perguntou ele, apoiando a cabeça no meu colo. — Bom, é uma junta de advogados associados, uma empresa grande. Vou ser advogada assistente de um grupo da empresa. Fui contando tudo o que sabia sobre meu novo local de trabalho enquanto fazia trancinhas em seu cabelo. — Sabe, eu terei que mudar daqui. — disse, olhando-o de canto, tentando captar alguma reação. — Humm… — ele apenas gemeu, de olhos fechados. E assim encerrou-se nosso diálogo. Ele cochilando em meu colo, enquanto eu brincava com seus cabelos, decepcionada. Aquela não era a reação que eu esperava. Queria que ele demonstrasse algo. Pelo menos por cortesia à nossa amizade. Quando Allan finalmente se levantou e voltou para o apartamento dele, fui direto pro notebook. Letícia era fantástica. Tinha enviado o contrato de locação do apartamento dela, perto da sede da Lex. Eu lembrava da época em que ela o comprou em leilão, ainda quando eu estagiava. Planejava dar de prese
Prestes a ter outra crise, lembrei da Letícia. Ela tinha me pedido para ligar mais cedo. Eu havia esquecido completamente depois da audiência estressante. Respirei fundo, tentei acalmar o peito que já começava a apertar, e disquei. — Oi, Lêh. Tudo bom? — Eu estou ótima, mas pensei que você não iria ligar nunca, mulher — respondeu ela, um pouco impaciente, mas animada. — Desculpa, Lêh. Tive um dia agitado. — Isso de certa forma é bom. Significa que há trabalho. Então… você se lembra que eu entrei como sócia da Lex Advogados? — Lembro sim. Foi pouco antes da minha formatura, certo? — Então. Nesta empresa nós formamos sempre grupos de três. O meu está precisando de um advogado assistente. O salário é digno, tem vale-alimentação e você terá porcentagem nas sucumbências. E aí, topa? O coração disparou. — Se eu topo?? Mulher, posso começar agora? Ai, Lêh, muito obrigada! — Menina, não me agradece ainda não. Um dos seus futuros chefes é o próprio diabo e não vai ser fácil. Ele sabe
Último capítulo