Capítulo. 04 Regras geral
Com o tempo passei a entender melhor meu Alladim.
Ele é incontido. Fiel somente a si mesmo. Egoísta, sim. Mas sabe dar atenção. Sabe ouvir quando eu preciso falar. E, principalmente, sabe satisfazer uma mulher. Sabe o ritmo, a pressão, o momento exato de parar e o momento exato de continuar. Como diz o ditado: a gente se acostuma rápido com o que é bom.
Eu não fui a exceção.
Fui a maldita regra geral.
No começo, eu não me importava de escutar gemidos que não eram meus do outro lado da parede. Até gostava, de certa forma. Era a lembrança constante de que aquilo não passava de sexo. Que ele transava com outras. Que eu era mais uma na fila. E que, se eu quisesse manter minha sanidade, precisava agir com a mesma frieza.
Mas a verdade é que ele me ensinou coisas sobre mim mesma.
Coisas que eu nem sabia que existiam.
Me redescobri ao lado dele. Aprendi a valorizar meu corpo, minhas vontades. O jeito que eu gemia quando parava de tentar controlar tudo. Descobri que gostava de ser segurada com força, de ser puxada pelo cabelo, de ser colocada de quatro sem aviso. Descobri que gostava de ser chupada com aquela língua perfurada até perder o fôlego, até as pernas falharem, até eu implorar para ele parar e continuar ao mesmo tempo. Descobri que gostava de gozar mais de uma vez na mesma noite. Coisa que, com meu ex, eu achava que era lenda.
Allan não me cobrou nada em troca. Nunca pediu exclusividade, nunca fez cena de ciúme, nunca me tratou como propriedade. Talvez seja exatamente isso que esteja me deixando louca.
Estou ficando dependente demais.
E já o conheço o suficiente para saber que ele não vai mudar. Pode ser que um dia mude... mas eu não me iludo achando que serei eu a escolhida. Allan leva a vida no próprio ritmo. Sempre foi sincero com todas as mulheres que se envolveu. Sempre deixou claro o que esperava e o que tinha a oferecer. Comigo foi igual.
Ele nunca mentiu.
E mesmo assim, eu me vejo querendo algo que ele nunca prometeu.
Ultimamente tenho tentado outras opções para aplacar essa dependência. Essa vontade ridícula de monopolizá-lo. Fui até numa casa de swing com algumas amigas. O sexo com outro cara foi bacana. O corpo era bom, a técnica até decente. Mas não foi satisfatório. Voltei para casa com a sensação de que algo estava faltando. Terminei o serviço sozinha, com o vibrador, deitada na minha cama, ouvindo o silêncio do apartamento ao lado.
E o pior: gozei pensando nele.
Até agora estou sob controle.
Ao menos é o que digo a mim mesma todas as manhãs, quando acordo com o lençol frio do lado vazio e a certeza de que ele pode estar com qualquer outra naquele exato momento.
Sabe qual é o lado ruim de ter algo acima da média?
É que você sempre compara. E negar isso é hipocrisia. Podemos até não fazer a comparação em voz alta, mas ela acontece. Na boca, no corpo, no jeito de segurar, no ritmo, na intensidade. Tudo vira parâmetro. Tudo vira falta.
O que me faz sempre me perguntar se ele me compara com alguém.
Se, quando está com outra, ele lembra do jeito que eu aperto as pernas em volta da cintura dele. Do jeito que eu digo o nome dele no escuro, baixinho, quase sem querer. Do jeito que eu gozo quando ele usa o piercing do jeito certo, no lugar certo, na hora certa.
Eu não quero saber a resposta.
Juro que não quero.
Mas a pergunta não sai da minha cabeça.
E é essa pergunta que está me destruindo por dentro.