Mundo de ficçãoIniciar sessãoMilena da Silva é uma pobre CLT que mora com a tia mau-caráter, que só a explora. Ela tem o sonho de encontrar um bom homem que a salve dessa vida de gata borralheira. Ao ajudar uma senhora, ela tem a oportunidade de frequentar um mundo totalmente diferente do dela. Adriano Torres é um bilionário que não tem sorte no amor. Em um baile, ele conhece Milena. Os dois vivem um conto de fadas, mas a ex dele acaba com o encanto e separa os dois. Um ano depois Milena volta para a cidade com uma pequena surpresa, disposta a reconquistar o homem que nunca deixou de amar.
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— Você é cega, criatura? Não está vendo que ali ainda está sujo? Diz Denise, a gerente da loja de luxo: "Essa mulher é muito insuportável. Ela ganha um salário melhor, mas continua sendo uma funcionária, assim como eu." No entanto, a Denise tem a ilusão de que é dona da loja e se acha no direito de pisar em mim e nas outras quatro faxineiras. Reviro os olhos, planto um sorriso falso nos lábios e pego os materiais para limpar a sujeira invisível. É melhor engolir desaforo do que não ter o que engolir para comer. — Pronto, Dona Denise, agora o chão está limpo. Ela me encara com uma cara azeda. — Muito bem, agora vá limpar em outro lugar. Vai trabalhar, não te pago para ficar sem fazer nada . Seguro o riso. Coitada, ela acredita mesmo que é rica e dona dessa loja. Não digo nada e me afasto. Limpo um banheiro e depois limpo um sorvete que uma adolescente deixou cair no chão. Quando dá a hora do almoço, vou para a salinha das faxineiras. Pego a marmita e minha garrafinha cheia de suco de uva. O almoço de hoje é lasanha de carne moída. Meu celular vibra com uma mensagem. Pego e leio. — Hoje é dia de pagamento, né? Eu quero dinheiro para levar meu namorado para sair. Reviro os olhos com força. Era só o que me faltava. Eu trabalho como uma condenada para sustentar Tereza e o namorado vagabundo. Eu não tenho obrigação nenhuma de te dar dinheiro. Vá arrumar um emprego; eu já faço muito pagando as contas de casa. Ela me manda vários emojis de raiva. Não me importo e volto a comer. Já estou de saco cheio da minha tia. Ela não trabalha, vive trazendo homens nojentos para dentro de casa e ainda rouba o meu dinheiro. Mês passado eu a vi pegando dinheiro da minha bolsa. Peguei o dinheiro de volta, mas ganhei um tapa. A esperança que eu tinha dela mudar já não existe, mas pessoas como a minha tia não mudam nunca. Vou procurar um quartinho para alugar. casei de ser explorada e maltratada A minha história favorita sempre foi a da Cinderela; minha mãe a lia para mim todas as noites. Mas, assim como a princesa, a minha mãe também se foi devido a um câncer severo. Fiquei arrasada. O meu pai sumiu no mundo, então fui obrigado a viver com a Tereza, irmã da minha mãe. Desde então, eu vivo nessa vida de gata borralheira, sonhando com um príncipe encantado que me tire dessa vida. Eu sei, esse pensamento é ridículo, afinal sou uma adulta, mas que mulher não quer um homem decente e protetor? Quero ter meu final feliz, construir uma família. Não me importo com dinheiro o que importa para mim é o amor que ele vai me dar. Mas, infelizmente, só tem aparecido sapo na minha vida. Meu ex-namorado era um mentiroso profissional, dava cada desculpa esfarrapada para ir sair com outra mulher, e eu ficava igual a uma tonta esperando-o. Quando eu descobri a traição, ele teve a audácia de dizer que a culpa era toda minha porque eu não transava com ele. Só me entreguei uma vez para ele e foi horrível; ele não era nenhum pouco carinhoso. Na época eu fiquei arrasada com o término; hoje eu agradeço a Deus por ter me livrado de um homem mau-caráter e sem futuro. - Garota, a hora do almoço já acabou. Coma logo essa comida gordurosa e volte ao trabalho. Denise entra na sala e me olha com um olhar arrogante. Seguro a vontade de revirar os olhos. Olho a hora no meu celular. — Ainda tenho cinco minutos, dona Denise. — Você acha que a minha loja é um hotel? Você está aqui para trabalhar; tem várias mocinhas que estão loucas para trabalhar no seu lugar. Se não quiser perder o emprego, me obedeça, coma essa porcaria logo. Vou estar te esperando. Diz e sai batendo a porta com força. Que mulher chata. Quando ela vai entender que também é CLT e não uma empresária? Como o resto da lasanha e tomo o suco com pressa. Não posso perder esse emprego de jeito nenhum. O salário é de dois mil, não é uma fortuna, mas me ajuda muito. Meu outro emprego era horrível: tinha que limpar uma casa inteira por um salário mínimo e ainda ter que aguentar as gracinhas do marido vagabundo da dona da casa. Se eu ficar sem esse emprego, eu vou morrer de fome. Minha tia só sabe beber e dar golpes nos homens. Vou para o banheiro, escovo os dentes rapidamente e vou trabalhar. Enquanto estou limpando, escuto uma apresentadora de um programa de fofocas falando de um baile de algum bilionário. - Adriano Torres é um pedaço de mau caminho e ainda é podre de rico. Meu sonho é ter um homem desses. — Enxergue-se, Joana, você é apenas uma vendedora perdedora. Eu sou a gerente, tenho mais chances de agarrar esse homem. Tenho vontade de rir. Denise é muito iludida; nenhuma de nós tem chances com um bilionário. Esses homens só querem mulher elegante e rica. — Você já tem 40 anos, Denise. Eu tenho 31 e sou mais bonita. — Olha como fala comigo, eu sou sua chefe. Vá já atender os clientes, anda, sua lesma. - Tô indo. Denise Levanto-me e admiro o meu trabalho. Mas, infelizmente, Denise me lança um olhar maldoso. Ah, não. Ela passa pelo local que acabei de limpar, sujando-o. — Limpe direito, tá sonhando com o príncipe encantado de novo? Querida, você só vai conseguir um morto de fome igual a você. Ele pode trabalhar de gari. Olha só que casal perfeito: o gari e a faxineira. Diz rindo como uma hiena alucinada. - Se ele for bom e me amar de todo o coração, não importa a profissão dele; todo trabalho é digno. — Cala a boca e volte a limpar, faxineira abusada. Volto a limpar sem dizer nada. Quando dá quatro e meia, eu retiro o uniforme e visto minha roupa. Todos os dias eu saio daqui às quatro e meia ou cinco horas, igual às outras faxineiras, e outras vêm ficar no nosso lugar. Essa loja é bastante popular entre as madames da alta sociedade e também é bem grande. Nunca vi a dona, mas ouvi dizer que ela já foi uma top model de sucesso. Saio da loja e espero meu salário cair na conta. Demorou dez minutos e o dinheiro finalmente está na minha conta. Agora eu vou pagar as contas e fazer as compras do mês. Ligo para um motorista de aplicativo; quando ele chega, eu entro no carro. Minha tia me liga, mas eu não atendo.**Milena****Meses depois...**— Vamos lá, meu filho, você consegue... — digo sorrindo, vendo Heitor tentando andar.Ele já tem um ano, mas ainda não anda.A médica me disse que é normal, o Heitor acabou de fazer um ano. Tem bebês que dão os primeiros passos mais cedo e outros que demoram um pouco para andar.Meu filho tenta, mas não dura dois segundos e volta a engatinhar no tapete fofo da sala.Sinto um cheiro de queimado tomar conta do ambiente.— Meu Pai do céu, a carne! — digo e corro para a cozinha, que não fica muito longe.O bife tá parecendo carvão.Contra a minha vontade, jogo no lixo.Decido usar o frango desfiado que sobrou do jantar. Cozinho abóbora e coloco no prato com arroz, frango e um pouco de feijão amassado com pouco caldo.Coloco Heitor na cadeirinha de alimentação.— Hora de almoçar, meu neném lindo!Ele sorri.— Da-da-da-da! — fala, apontando para o prato.— Olha o aviãozinho, tá bom?Dou uma colher, e mais outra, e outra.Ele come tudo com gosto. Isso me deixa
**Milena****Um mês depois**— Você vai ser mamãe, Milena! Parabéns! Recomendo fazer logo o pré-natal — diz a médica, toda animada.Toco em meu ventre e sorrio.— Eu vou ter um filho do Adriano... — digo em tom baixo.Com o dinheiro que a vadia da Sônia me deu, eu aluguei uma casa e virei sócia da mercearia do Luiz, marido da Dolores, que é minha vizinha.Ela se tornou a minha confidente. Sinto que posso confiar nela.Depois de minha menstruação atrasar e de eu sentir enjoo das comidas de que mais gosto, fiz um teste de gravidez. Ele deu negativo, mas, no dia seguinte, fiz outro e deu positivo.Depois de muita insistência da Dolores, resolvi fazer um exame. E agora estou aqui, toda boba por saber que carrego o fruto do meu amor com o Adriano.— Eu vou fazer... Agora preciso ir, obrigada, doutora — digo, saio da sala e do posto de saúde.— Não se preocupe, meu bebê, a mamãe vai cuidar muito bem de você — digo e toco na minha barriga.O Adriano iria ficar louco de felicidade... E a dona
**Adriano**A dor que estou sentindo é a pior dor do mundo!Entro em casa e quebro tudo o que vejo pela frente.Toda vez que ela transava comigo era nele que pensava. Os beijos, o olhar carinhoso... Era tudo uma farsa.E eu sou tão idiota que, se ela dissesse desde o começo que estava comigo só pelo dinheiro, eu não me importaria, desde que ela fosse só minha.Olho para o piano com raiva.Me dirijo ao local onde ficam as ferramentas, pego um martelo e vou em direção ao piano.Sem pensar duas vezes, bato com ele no piano até o meu braço cansar.Não satisfeito, uso o outro braço.— Ah! Por que, meu amor? Eu te amava tanto...Largo o martelo e desabo no chão frio e duro.A partir de hoje, o meu coração tá fechado pra sempre!Não vou ser mais aquele homem idiota e fraco.Só vou usar as mulheres para me dar prazer!Minha mãe me liga, mas eu não atendo.Me levanto.Vou até o meu quarto, pego todas as roupas de Milena e jogo tudo no lixo.Alguém bate na porta.Abro e vejo Sônia.— Adriano, e
**Milena**Eu acordei ao lado do meu amor. Nós tomamos café e depois ele foi para o Grupo Torres e eu fui cumprir meu papel de assistente e fui ao encontro da mãe dele.Quando estamos atravessando a rua, três homens armados surgem do nada e apontam uma arma para Margarida.— Podem ficar com o dinheiro, não machuquem a gente, por favor!— Cala a boca, velha!— Se quiser essa velha viva, vai ter que fazer tudo que a gente mandar — diz um deles, apontando pra mim.Sinto um frio percorrer a minha espinha.— Pelo amor de Deus, não machuca ela! Leve essa bolsa, ela é cara, e o meu celular novo. Vocês vão conseguir uma boa grana com ele — digo nervosa, erguendo meus pertences, mas o careca que segura Margarida aperta o pescoço dela, a fazendo ficar sem ar.Olho em volta. Ninguém tem coragem de fazer nada, afinal eles três estão armados.— A gente quer que você obedeça ela... Entendeu?Balanço a cabeça confirmando, mesmo não entendendo nada.— Ótimo, vamos, rapazes!Eles vão embora. Corro até





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