Sr. Torres A Sua mulher chegou

Sr. Torres A Sua mulher chegou PT

Romance
Última atualização: 2026-08-26
Luiza Pimenta   Atualizado agora
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Índice

Milena da Silva é uma pobre CLT que mora com a tia mau-caráter, que só a explora. Ela tem o sonho de encontrar um bom homem que a salve dessa vida de gata borralheira. Ao ajudar uma senhora, ela tem a oportunidade de frequentar um mundo totalmente diferente do dela. Adriano Torres é um bilionário que não tem sorte no amor. Em um baile, ele conhece Milena. Os dois vivem um conto de fadas, mas a ex dele acaba com o encanto e separa os dois. Um ano depois Milena volta para a cidade com uma pequena surpresa, disposta a reconquistar o homem que nunca deixou de amar.

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Capítulo 1

A gata borralheira

Milena

— Você é cega, criatura? Não está vendo que ali ainda está sujo?

Diz Denise, a gerente da loja de luxo: "Essa mulher é muito insuportável. Ela ganha um salário melhor, mas continua sendo uma funcionária, assim como eu." No entanto, a Denise tem a ilusão de que é dona da loja e se acha no direito de pisar em mim e nas outras quatro faxineiras. Reviro os olhos, planto um sorriso falso nos lábios e pego os materiais para limpar a sujeira invisível. É melhor engolir desaforo do que não ter o que engolir para comer.

— Pronto, Dona Denise, agora o chão está limpo.

Ela me encara com uma cara azeda. — Muito bem, agora vá limpar em outro lugar. Vai trabalhar, não te pago para ficar sem fazer nada

. Seguro o riso. Coitada, ela acredita mesmo que é rica e dona dessa loja. Não digo nada e me afasto. Limpo um banheiro e depois limpo um sorvete que uma adolescente deixou cair no chão. Quando dá a hora do almoço, vou para a salinha das faxineiras. Pego a marmita e minha garrafinha cheia de suco de uva. O almoço de hoje é lasanha de carne moída. Meu celular vibra com uma mensagem.

Pego e leio.

— Hoje é dia de pagamento, né? Eu quero dinheiro para levar meu namorado para sair.

Reviro os olhos com força. Era só o que me faltava. Eu trabalho como uma condenada para sustentar Tereza e o namorado vagabundo. Eu não tenho obrigação nenhuma de te dar dinheiro. Vá arrumar um emprego; eu já faço muito pagando as contas de casa.

Ela me manda vários emojis de raiva. Não me importo e volto a comer. Já estou de saco cheio da minha tia. Ela não trabalha, vive trazendo homens nojentos para dentro de casa e ainda rouba o meu dinheiro. Mês passado eu a vi pegando dinheiro da minha bolsa. Peguei o dinheiro de volta, mas ganhei um tapa. A esperança que eu tinha dela mudar já não existe, mas pessoas como a minha tia não mudam nunca. Vou procurar um quartinho para alugar.

casei de ser explorada e maltratada

A minha história favorita sempre foi a da Cinderela; minha mãe a lia para mim todas as noites. Mas, assim como a princesa, a minha mãe também se foi devido a um câncer severo. Fiquei arrasada. O meu pai sumiu no mundo, então fui obrigado a viver com a Tereza, irmã da minha mãe. Desde então, eu vivo nessa vida de gata borralheira, sonhando com um príncipe encantado que me tire dessa vida. Eu sei, esse pensamento é ridículo, afinal sou uma adulta, mas que mulher não quer um homem decente e protetor? Quero ter meu final feliz, construir uma família. Não me importo com dinheiro o que importa para mim é o amor que ele vai me dar. Mas, infelizmente, só tem aparecido sapo na minha vida. Meu ex-namorado era um mentiroso profissional, dava cada desculpa esfarrapada para ir sair com outra mulher, e eu ficava igual a uma tonta esperando-o. Quando eu descobri a traição, ele teve a audácia de dizer que a culpa era toda minha porque eu não transava com ele. Só me entreguei uma vez para ele e foi horrível; ele não era nenhum pouco carinhoso. Na época eu fiquei arrasada com o término; hoje eu agradeço a Deus por ter me livrado de um homem mau-caráter e sem futuro.

- Garota, a hora do almoço já acabou. Coma logo essa comida gordurosa e volte ao trabalho. Denise entra na sala e me olha com um olhar arrogante. Seguro a vontade de revirar os olhos. Olho a hora no meu celular.

— Ainda tenho cinco minutos, dona Denise.

— Você acha que a minha loja é um hotel? Você está aqui para trabalhar; tem várias mocinhas que estão loucas para trabalhar no seu lugar. Se não quiser perder o emprego, me obedeça, coma essa porcaria logo. Vou estar te esperando.

Diz e sai batendo a porta com força. Que mulher chata. Quando ela vai entender que também é CLT e não uma empresária? Como o resto da lasanha e tomo o suco com pressa. Não posso perder esse emprego de jeito nenhum. O salário é de dois mil, não é uma fortuna, mas me ajuda muito. Meu outro emprego era horrível: tinha que limpar uma casa inteira por um salário mínimo e ainda ter que aguentar as gracinhas do marido vagabundo da dona da casa. Se eu ficar sem esse emprego, eu vou morrer de fome. Minha tia só sabe beber e dar golpes nos homens. Vou para o banheiro, escovo os dentes rapidamente e vou trabalhar.

Enquanto estou limpando, escuto uma apresentadora de um programa de fofocas falando de um baile de algum bilionário.

- Adriano Torres é um pedaço de mau caminho e ainda é podre de rico. Meu sonho é ter um homem desses.

— Enxergue-se, Joana, você é apenas uma vendedora perdedora. Eu sou a gerente, tenho mais chances de agarrar esse homem. Tenho vontade de rir.

Denise é muito iludida; nenhuma de nós tem chances com um bilionário. Esses homens só querem mulher elegante e rica.

— Você já tem 40 anos, Denise. Eu tenho 31 e sou mais bonita.

— Olha como fala comigo, eu sou sua chefe. Vá já atender os clientes, anda, sua lesma.

- Tô indo. Denise

Levanto-me e admiro o meu trabalho. Mas, infelizmente, Denise me lança um olhar maldoso. Ah, não. Ela passa pelo local que acabei de limpar, sujando-o.

— Limpe direito, tá sonhando com o príncipe encantado de novo? Querida, você só vai conseguir um morto de fome igual a você. Ele pode trabalhar de gari. Olha só que casal perfeito: o gari e a faxineira. Diz rindo como uma hiena alucinada.

- Se ele for bom e me amar de todo o coração, não importa a profissão dele; todo trabalho é digno.

— Cala a boca e volte a limpar, faxineira abusada.

Volto a limpar sem dizer nada. Quando dá quatro e meia, eu retiro o uniforme e visto minha roupa. Todos os dias eu saio daqui às quatro e meia ou cinco horas, igual às outras faxineiras, e outras vêm ficar no nosso lugar. Essa loja é bastante popular entre as madames da alta sociedade e também é bem grande. Nunca vi a dona, mas ouvi dizer que ela já foi uma top model de sucesso. Saio da loja e espero meu salário cair na conta. Demorou dez minutos e o dinheiro finalmente está na minha conta. Agora eu vou pagar as contas e fazer as compras do mês. Ligo para um motorista de aplicativo; quando ele chega, eu entro no carro. Minha tia me liga, mas eu não atendo.

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