A cidade muda quando dorme.
As buzinas somem, as luzes perdem a pressa, e até o vento parece andar mais devagar. É como se o mundo segurasse a respiração, só por algumas horas, pra dar espaço ao que não consegue existir durante o dia.
Era quase duas da manhã quando me levantei da cama sem pensar. O quarto estava mergulhado naquela escuridão azulada que antecede o amanhecer, e Yves dormia com o punho fechado sobre o rosto, em paz. Tudo nele era calmo, macio, inteiro. Um mundo que dependia do m