Mundo de ficçãoIniciar sessãoParte 1
Dinastia Goryeo, 1177, floresta ao redor de Kaesun
Ttang Woo
Incito o cavalo apertando seu lombo entre as coxas, mesmo sentindo que Lim já galopa o mais rápido que consegue. Não preciso olhar para trás para saber que meus inimigos estão perto, consigo ouvir bem os outros cascos de seus cavalos batendo na terra seca. Apenas dois aliados.
Eu deveria ter adivinhado que era uma emboscada. Não havia motivo algum para bandidos tentarem nos atacar. Estamos viajando há tanto tempo fingindo ser batedores. Até nossa armadura e uniforme é de má qualidade. Já chegamos em Kaesun.
Posso nomear os possíveis mandantes. O rosto do ministro da economia aparece em minha mente. O pai da rainha sempre é o meu primeiro candidato.
Desde pequeno tenho inimigos, ironicamente a maioria é da minha família, parentes das outras mulheres de meu pai. Fui um alvo fácil na infância, quase conseguiram me matar inúmeras vez.
Uma flecha passa rente ao meu rosto, quase acertando minha bochecha, vi quando acertou a árvore um pouco a frente. Olho para todos os lados, tentando encontrar o caminho para despista-los, há apenas a floresta, muito densa ao lado e uma parede de rochas ao outro e a estrada a frente.
Ainda falta muito para chegar à cidade e eles não estão tão longe.
Mas meus aliados estão, meu regimento de guarda, a guarda vermelha, seguiu minhas ordens indo para a capital com o falso Ttang Woo na liteira. E o resto do exército ainda está estacionado na fronteira prontos para qualquer ataque. Quem diria que meus inimigos veriam por trás desse plano? A ideia de um traidor passa brevemente por minha mente, mas passamos por momentos demais de vida e morte para não acreditar em meus irmãos.
Há um modo, sempre há um jeito de escapar, consegui sobreviver por vinte três anos, vou sobreviver hoje também.
Outra flecha passa por mim, dessa vez espantando Lim que muda sua direção indo para dentro da floresta, saindo da estrada. Não há como voltar de qualquer modo. Cavalgo evitando as árvores e as pedras, esperando que meus perseguidores não sejam tão habilidosos quanto eu e seus cavalos tropecem nas raízes das árvores.
Pensei em todas as rotas e seguir o caminho mais longo, enviando a comitiva real pela estrada principal. Passar por Kaesun para depois seguir para a capital, mesmo seguindo pelo caminho mais longo, eu chegaria primeiro já que estou viajando com menos pessoas e quase sem peso. Algumas horas para descansar os cavalos e teríamos chegado à capital no dia seguinte.
Depois de anos defendendo a fronteira leste dos Sung, o rei enviou um tratado de paz. Pensei que o meu pai iria apenas aceitar, mesmo como o general responsável, não ousei ler a carta de um rei para o outro, não preciso de mais motivos para os meus inimigos desejaram minha morte, possem posso ver que foi a decisão errada, se eu tivesse lido a carta saberia o motivo do meu pai me convocar novamente para a capital.
Sua carta foi concisa, deixe suas tropas e volte para a capital. Um comando simples que traz um mundo de possibilidades.
Passei muito tempo no Leste, desde os meus doze anos, longe de minhas irmãs e de minha mãe. Mesmo sendo o quinto príncipe sou o único homem que minha mãe teve. Uma sorte tremenda ela não tinha poder ou família poderosa e se ousasse dar três príncipes ao rei, teria sido impossível que tivéssemos sobrevividos.
Algum dia perguntaria na cara do primeiro ministro porque ele se deu ao trabalho, eu nem ao menos cobiçava o trono, porém ficou muito claro que se eu não o procurasse, se não tivesse atras de poder poderia ter sido devorado a muito tempo, nem ao menos meu pai poderia nos proteger.
Um grito estridente chama minha atenção a esquerda. Sei Nam Ho cavalga ao meu lado com uma flecha alojada em seu ombro esquerdo. Ele deixa um gemido sair de seus lábios enquanto tenta me acompanhar enfaixando a mão com as rédeas do cavalo.
Deixo sair um som de frustração e irritação entre os lábios, esses homens não merecem isso. Escolhi os mais baixo na hierarquia da guarda vermelha por não chamarem atenção, apenas dois guardas para ter algum apoio, mas não deveria ser assim.
— Aguente! Segure firme, vamos sair dessa floresta. — Grito as palavras para os dois ao meu lado. Quando sinto a dor atravessar o meu ombro. Olho para baixo e vejo a ponta da flecha. Mais alguns centímetros para baixo e eu teria morrido. — Temos que nos separar!
Nam Ho está machucado, eu sou o alvo deles de qualquer modo, pelo som dos cavalado não podem ser mais doo que seis ou sete.
— Os dois vão para a cidade, parem apenas o bastante para curar o ferimento e sigam até a capital, não chamem atenção e encontrem com Kang Do Mim. — Grito os comandos.
— Não vamos abandona-lo, general. — Sei Nam Ho sussurra, mas consigo ouvir entre os sons dos cascos. Outra flecha passa por sua cabeça, mas ele consegue desviar.
— É uma ordem. — Olho para Sei Sun Ho a minha esquerda e ele acena com a cabeça. Diminuindo o os galopes apenas o bastante para passar por trás de mim e incitar o cavalo do Sei Nam Ho para a esquerda.
Vejo seus cavalos seguirem um pouco mais devagar entrando ainda mais na floresta. Dois dos que nos perseguem. Não consigo ver muito a minha frente por causa das árvores, mas logo não seria possível cavalgar, a floresta está mais densa. Teria que despistá-lo novamente.
Cavalgo o máximo que o consigo para dar tempo para os outros dois conseguirem uma vantagem e puxo as rédeas para a esquerda. O plano é simples, sair do cavalo rápido o bastante para que eles não me vejam e sigam Lim. Já fiz esse truque muitas vezes. Embora não tenha meu arco agora para ataca-los por trás. Olho de relance para, ainda consigo vê-los entre as árvores.







