Capitulo 1.2

Parte 2

Reino Ttang, 1177, outono. Floresta na montanha Songak

Ha Yon Sun

Da última vez que tirei no pátio, passei quase três dias sendo seguida por vagalumes.

Caminho devagar até a margem do rio, sentando em uma pedra lisa onde estava a pouco tempo. Passo o tecido novamente pra frente, tomando cuidado com os grampos. Espremo o véu tentando tirar o excesso da água.

Levanto com cuidado para não prender a barra da saia no sapato. Olho em volta, tentando localizar um local onde o sol brilhasse mais forte, porém o sol já não estava forte o bastante para secar o véu. Mesmo assim o tiro devagar do cabelo, soltando os grampos e estendo o véu ao meu lado na esperança de seca-lo ao menos o bastante para que eu possa ver o caminho de casa.

Nunca usei o cabelo do modo certo por causa do véu. O costume diz que mulheres solteiras deveriam ter o cabelo com uma única trança descendo pelas costas. O uso como uma mulher casada, é mais fácil de segurar o véu com esse penteado. E é o único que minha mãe me ensinou. Se tivesse que fazer uma simples trança, meu cabelo negro penderia ao um pouco antes do final das minhas costas.

O véu é a única peça que possou de primeira mão desde que cheguei à floresta. Quando o ganhei o tecido verde quase chegava a reluzir, a renda tão bem trabalhada e delimitada, agora estava mais surrado e gasto, porém ainda serve ao seu propósito.

Tirando meus sapados, os posiciona ao lado do véu. Não deveria ficar com roupas molhadas, mesmo nunca ficando doente, não seria aconselhável dar sorte ao acaso.

O clima estava tão bom que por um momento esqueceu que não deveria ficar mais do que poucas horas fora de casa. Mas não seria aconselhável, está em um lugar assim. Mas já faz tantos anos que o medo não existia mais, a cautela pelo visto também não.

Começo a desatar o vestido sem realmente notar o que estou fazendo. Está especialmente quente hoje. Quando dou por mim já estende todas as minhas roupas molhadas na pedra e estou usando apenas o simples conjunto de roupas de baixo brancas. Vejo mais uma mancha no tecido, até mesmo essas são de segunda mão.

Eu lembro de usar roupas novas quando criança. Minha mãe é uma concubina e meu pai sempre foi generoso com seus presentes, nunca fazendo distinção entre seus filhos, no entanto ele também não fazia nada quando seus outros filhos me excluíam, principalmente minha meia irmã. Meus dois irmãos mais velhos, Ha Soo Ho e Ha Su Hak me ignoravam, acho que com a diferença de mais de seis anos é aceitável, mas minha meia irmã era má.

Minha mãe pode não me dizer que é ela que as rouba dos baús que meu pai prepara, ou melhor que manda preparar a cada seis meses para mim. Se ele soubesse quais roupas são compradas talvez minha irmã não teria coragem de roubá-las e usa-las, me deixando apenas os restos que não quer mais. E claro sempre deixa pequenos buracos em todas as roupas.

Pego o sabão e começo a entrar na água fria. Eu sei que esse não é um comportamento aceitável para uma mulher em qualquer posição, minha mãe sempre me fala isso, porém eu vivo sozinha a tanto tempo que não sinto necessidade de obedecer a algumas regras que minha mãe insiste em me passar, afinal eu não vivo em sociedade.

Passo o sabão pela minha pele vendo-a reluzir ao sol.

Mergulho e lavo meu cabelo. Lavo cada centímetro da minha pele que consigo alcança e algumas lavo com o tecido por cima mesmo. Não tenho muita preocupação com minha pele. Está sempre tão reluzente e macia mesmo se eu não a esfregar ou usar os inúmeros truques de beleza que minha mãe insiste em usar sempre que pode. Acho que faz parte da minha maldição.

Seguro a água em minha mão e passo no meu rosto, esfregando bem qualquer sujeira que possa haver.

Vejo uma pequena sombra passar por meus olhos fechados e os abro em reflexo. Uma borboleta cruza o céu.  Planando na leve brisa.

Cobro meu rosto com as mãos e entrevejo seu vou por entre meus dedos.

Ela é tão bonita. As pontas de suas asas são negras com pintas amareladas arredondadas, o centro é azul. Um tão bonito e vibrante que com toda certeza, moças ricas irão querer usar em suas saias, com manchas brancas em um padrão único. E no final, como uma pequena calda duas manchas vermelho sangue.

Ela plana na minha frente e eu lentamente vou descobrindo meu rosto. É raro ver borboletas nessa floresta, essa é a segunda que eu já vi em toda minha vida.

Da primeira vez que eu vi, pensei que fosse algum tipo de ser mágico. Estava sozinha e usava o véu, então ela não viu o meu rosto, eu a seguir por horas pelas ruas da cidade. Eu não sabia o que era, até que as outras crianças se aproximaram. Elas já haviam visto em seus livros, pinturas tão bonitas quanto a originais me disseram, mas duvido que seja realmente.

A borboleta fez uma curva e olhou para mim. Seus dois olhos amarelos, grandes demais para seu rosto. Ela bateu as azas e começou a rodear a minha cabeça, foi quando percebi que não estava mais cobrindo o rosto.

Levantei a mão para ela e a vejo pousar em meu dedo. Mal posso senti suas patas, a aproximo do meu rosto. Ela não é tão bonita de perto.

Dou um pequeno sorriso para ela. Suas asas param e ela fica paralisada em minha mão, encarando meu rosto, mexe suas antenas para cima e para baixo e então para voltadas para mim.

— Desculpe. — Digo baixinho para ela. — Me desculpe.

Pobre borboleta... levanto meu dedo para empurrara de volta para o céu, mas ela não se move.

— Me desculpe, borboleta. Você não quer me deixar. Você não iria muito longe. Me seguirá a aonde quer que eu vá. Me desculpe.

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