Capitulo 1.1

Parte 1

Reino Ttang, 1177, outono. Floresta na montanha Songak

Ha Yon Sun

Se existisse uma visão no mundo mais bonita do que o grande rio na montanha Songak, eu não a conhecia.

Não possuo muita experiencia, ou já estive em outro lugar que não a floresta, salvo a cidade onde nasci: Kaesun. No entanto, mesmo se já houvesse viajado por todo o Reino de Ttang, ainda assim manteria minha opinião intacta porque o que torna a visão tão bonita é único e especial.

Moro há pelo menos oito anos nessa floresta, e vou ao grande rio pelo menos duas vezes a cada sete ou seis dias.

Então já perdi a conta, bem, não havia nem ao mesmo pensado em contar, quantas vezes presenciei a mudança das estações nas folhagens das copas das árvores.

Poderia parecer loucura, mas a cada dia o lugar está diferente e é isso que o deixava tão irresistivelmente bonito e surpreendente.

Sempre o vejo de diferentes locais, mas há o meu favorito.

Ajoelhada à beira do rio, ouvindo o barulho de seu curso, vendo como o sol toca as folhas das árvores, como dança através da água.

Não há lugar melhor.

Levo algum tempo para encontra-lo, até porque nem ao menos deveria sair de casa, se alguém me visse na floresta com toda certeza seria um problema, mas depois de tantos anos perdi boa parte do medo de ser pega.

Esse trecho em especial fica longe da estrada e há o rio me separando de qualquer um que aparece por lá. O máximo de pessoas que aparece por aqui, são caçadores ou coletores de ervas. Eles raramente estão na floresta nesse horário e se por acaso alguém surgisse eu poderia apenas virar e correr. Ninguém seria tão curioso a ponto de atravessar o rio como eu tinha sido.

Gosto de lavar roupa aqui, principalmente em dias quentes, pois até mesmo o som das roupas batendo nas pedras é diferente.

Deveria ser fácil imaginar que depois de todos esses anos lavando roupas a margem do rio, eu já teria encontrado um modo de não me molhar tanto, ou de acabar com os joelhos sempre muito doloridos e com pequenos arranhões, porém a roupa fica sempre limpa e eu molhada.

Não havia muito o que fazer, pois as águas do rio sempre se agitam para fora, ou o fato das pedras serem duras demais, e não havia nada que pudesse fazer contra os insetos também. Ainda bem que está perto do inverno, mais três meses e não precisarei me preocupar com os pequenos.

Segurando a roupa com delicadeza em minhas mãos, as esfrego até que a água que escorresse estivesse tão clara quanto a do rio.

As roupas sempre estavam muito sujas, por causa da terra em que passo horas deitada em meu jardim e pelo vento que sempre carregava um pouco de poeira.

Pego uma saia azul clara, com um bordado muito delicado de aparência muito cara, o que havia sido mesmo, mas que já estava desgastado pelo uso, afinal sou apenas a sua segunda dona.

Puxando mais uma vez as finas camadas de tecidos para junto de minha cintura e volto a esfregar a roupa suja na pedra com toda delicadeza que tenho, afinal preciso fazer a roupa durar, embora sempre receba roupas novas duas vezes ao ano, preciso valorizar o que tenho. Puxando o tecido mais uma vez para junto do rosto, vejo algumas manchas ainda. Volto a esfregar com força.

Estou me culpando por deixar um pouco de molho cair sobre a peça enquanto comia.

O grande rio não era perigoso, a partir do ponto em que costumo ir. Não tem uma correnteza muito rápida e é raso, embora cheio de pedras lisas demais que poderia causar acidentes.

Trago novamente a roupa para perto e não se ver mais a mancha, mas não seria a primeira vez que deixaria algo passar. Seguro a peça de seda em minhas mãos e olho para todos os lados com bastante atenção.

Não há som humano algum. E os animais a vista são apenas os insetos.

Com cuidado, levanto um pouco o véu, apenas o bastante para que possa passar o delicado tecido por baixo para que possa examinar melhor.

Sem manchas.

Jogo a peça na cesta e pego a última do chão.

Apenas mais uma peça e poderia ir para casa, o que seria uma pena, porém o sol logo iria se pôr, a hora do jantar e pelo estado de minha fome, teria uma porção extras de arroz essa noite, muito bem merecida pelo tamanho da cesta que tem ao meu lado.

Volto a esfregar, pegando um pouco de água do rio a minha frente e esfregando com o sabão. Essa peça não parece tão suja quanto a última.

Vendo a blusa limpa, espremo a peça até meus braços doerem e então a jogo em cima da cesta. Tenho que apreça em colocar elas no sol antes que o cheiro mude.

Levanto, porém por um erro de alguns centímetros, prendo o véu em meus joelhos, fazendo que os grampos puxem meu cabelo. Solto um pequeno gemido de dor. Meu corpo se inclina para frente e perco o equilíbrio, caindo com as duas mãos dentro da água.

A água fria molha o restante de minhas roupas e véu, uma pequena pedra pressiona minha barriga. Faço força segurando bem as pedras no fundo do rio, para não molhar o rosto coberto com o véu. Levantou rapidamente sentindo o pouco do ar escapar por meus pulmões. Me sento, terminando de molhar a única parte da sai que ainda estava seca, puxando um pouco o véu para longe de meu rosto para respirar melhor.

Olho para o pedaço quase transparente de seda, o uso desde que consigo me lembrar. Realmente minha primeira lembrança é de minha mãe arrumando os meus cabelos, prendendo o véu a eles e cobrindo meu rosto.

Pressionando minhas mãos no chão, me levanto notando toda a roupa colada ao corpo, as saias ficam mais pesadas e de uma cor mais escura. O vento fraco faz o véu colar novamente em meu rosto, embaçando minha visão.

Inspiro fundo puxando o véu novamente para longe do rosto. Olho em volta, procurando por alguém apenas para ter certeza e me certificar que não havia nenhum animal grande também por perto. Puxo o véu devagar e o passo por cima do cabelo para não precisar tirar os grampos.

Uma leve brisa b**e em meu rosto. Pisco um pouco com a mudança sutil da claridade e olho o céu. Fazia muito tempo em que não sentia o vento em meu rosto. Só me permitia tirar o véu em casa com todas as portas e janelas muito bem fechadas.

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