Mundo de ficçãoIniciar sessãoHa Yon Sun nasceu em uma família abastarda. Seu pai é comerciante e possui um lugar respeitado no magistrado, sendo um dos poucos letrados que podem falar sobre a presença do rei de Ttang. Porém sua mãe era apenas uma criada que se tornou uma concubina após a morte da esposa principal. Ao nascer sua madrasta lhe rogou uma maldição o que a fez sair de casa aos dez anos e ir viver em um lugar isolado nas montanhas. Seus dias eram monótonos até encontrar um homem ferido ao lado do rio. Ttang Woo é o sexto príncipe de Ttang, seus méritos como deus da guerra o precedem, o que deixa com um alvo marcado em seu peito. Como único filho de sua mãe, a decima terceira concubina de sua majestade, Ttang Woo não deveria ser um dos candidatos ao trono, porém como passou muitas dificuldades na infância, decidiu que não seria fraco. Durante uma viagem é emboscado e cai para a morte em um penhasco, porém a sorte lhe leva a uma misteriosa mulher de véu.
Ler maisParte 1
Reino de Ttang, 1158, kaesong
A noite mais quente do ano começou com os gritos de Kim Mu Min em seu aposento na mansão da família Ha, o salão Calmaria. Cada uma das fortes dores do parto lhe arrancou um sonoro grito que se espalhava por todo o terreno da mansão, provocando agonia e medo em quem o ouvisse.
Sua criada nada podia fazer além de enxugar seu suor, lhe segurar as costas e a mão. Logo acabaria. Esse seria seu terceiro filho.
Seu corpo já deveria saber o que fazer, já deveria saber o que esperar.
Deveria ter sido rápido como da última vez, no entanto ela sabia que não seria. Kim Mu Min ficou doente em seu quinto mês de gravidez, a fraqueza em seus batimentos cardíacos e a dificuldade em respirar se agravou nas gravidezes anteriores e na terceira não era diferente, porém seu frágil e magro corpo não estava levando a melhor dessa vez.
Ela não precisava engravidar uma terceira vez. Com seus dois garotos menores, ela havia cumprido e muito bem seus deveres de esposa, dando um herdeiro homem e um substituto para seu marido, mas ela era teimosa, queria dar ao marido uma menina. Mesmo que não fosse de grande valor ou que seu marido tivesse lhe pedido isso, ela sabia que se não o fizesse sempre seria um ponto negativo nas línguas das criadas e de sua falecida mãe.
O ar estava seco, a noite silenciosa, pequenos insetos poderiam ser ouvidos entre seus gritos. Todos os criados e convidados pareciam prender a respiração a cada empurrão para trazer a criança ao mundo.
O curandeiro foi eficiente, encorajou Mu Min durante todo o momento. Um senhor calmo e sensível que há anos vem tratando das enfermidades humanas. Geralmente ele não seria chamado para tal tarefa, mas como a família possui uma boa posição financeira e um nome respeitável, ele foi rapidamente solicitado para ajudar a trazer ao mundo os herdeiros de Ha.
Em seus muitos anos de oficio ele foi eficiente e rápido e nunca perdeu nenhum paciente, mais um dos milagres concedidos pela divindade. Agora ele está convicto que não seria diferente, mesmo com a sua paciente tão fraca e cansada.
Porém o trabalho de parto nunca havia durado tanto para um terceiro filho, ele sabia que havia algo errado então tratou logo de tomar as decisões cabíveis para ajudar ambos.
O cheiro metálico e salgado do sangue se espalhava pelo quarto abafado, se misturando ao do suor. Todos estavam cansados e suando muito pela insistência do médico em não deixar janelas abertas para o bebê não pegar nenhuma friagem quando nascesse.
Tantas velas deixavam o ar muito seco e áspero.
— Onde ele está? — Mu Min encontrou seu fôlego para proferir essas poucas palavras. Seus lábios outra hora rosados, estavam brancos como papel e ressecados. Suas maçãs do rosto apresentavam uma vermelhidão pelo esforço e pelo calor, mesmo seu semblante parecendo tão abatido. Seus pequenos olhos castanhos estavam pesados e mal conseguiam se manter abertos.
As duas criadas em sua frente que auxiliam o doutor se entreolharam e compartilharam olhares com o médico e com a criada pessoal de Hae Soo. A mesma negou com a cabeça.
Gu Sook estava com Mu Min desde sua adolescência, as duas têm a mesma idade e passaram a maior parte de suas vidas juntas. Gu Sook estava no mesmo local em todos os partos de sua senhora. Apoiando suas costas e lhe dando todas as forças que poderia. Para os padrões da sociedade elas nunca poderiam ser consideradas amigas, mas as duas sabiam que não poderia se passar tanto tempo juntas sem que a amizade se implantasse em sua relação.
E por causa dessa proximidade Gu Sook sabia que não poderia revelar onde o marido de sua senhora se encontrava, não com ela naquele estado. Não sabendo como o orgulho de Hae Soo era impetuoso e vingativo. Gu Sook olhou para o médico pedindo ajuda.
— Não é tarefa do homem estar presente nesse momento, minha senhora. Assim que a criança nas.... — A fala dele foi interrompida pelo grito estridente de dor. A criança finalmente começou a abrir caminho para o mundo exterior, rasgando um pouco da carne de sua mãe.
— Eu sei onde ele está. Sei o que está fazendo. Ele deveria estar aqui. Deveria.... AHH!!!! — Mais um grito impediu suas palavras.
A verdade é que Ha Cheol não ama sua esposa. Isso não é algo de outro mundo. Ao contrário, casamentos por sentimentos de afeição são muito raros. Mu Min também não o amava quando se casaram. Ela se casou por ordem de seus pais e conseguiu um lugar relativamente mais confortável do que sua antiga casa e por isso ela sempre foi agradecida.
No entanto isso deixaria uma enorme brecha. Seu marido agora se encontra na casa de outra mulher. Outra mulher grávida que está dando à luz no mesmo momento que sua esposa, porém como a mulher não é nem mesmo uma segunda esposa Ha Cheol precisou está presente para ter certeza de que não seria um menino. Se for, ele se casará com a mulher.
Mu Min descobriu a moça grávida bem em tempo e logo tratou de engravidar também, ela não deixaria que uma simples criada se tornasse uma segunda esposa ou até mesmo concubina de seu marido. Por isso pagou bem a parteira para se livrar do garoto se assim fosse, porém, a mensagem foi interceptada por um dos homens de seu marido que naquele exato momento estava na ala dos empregados para ter certeza de que sua esposa não iria interferir ou machucar a criança de algum modo, além de atestar se teria outro herdeiro.
Isso foi um erro. Não estar presente no parto de um de seus filhos legítimos e sim de uma criada qualquer, apenas incitou ainda mais a fúria de Mu Min.
— Ele se arrependerá dessa decisão. Durante toda sua vida se arrependerá....
A criança enfim saiu completamente de seu casulo. Sendo amparado pelos braços do médico que logo constatou ser uma garota. Mu Min havia conseguido o que queria. Os gritos de dor foram substituídos pelo choro do bebê que logo foi limpo e entregue no colo de sua mãe.
Parte 2Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakHa Yon SunDepois de colocar o pássaro no fogo, vou para o meu quarto. Ttang Woo ressoa suavemente nos lençóis, ele se afastou um pouco da entrada fugindo do sol.Seu cabelo está espalhado por todos os lugares e uma parte de seu tronco está exposta. Os músculos estão flexionados sobre....Desvio os olhos e me apresso para dentro do quarto. Pego algumas peças de roupas em tons mais escuros que tenho e algumas peças de baixo. Coloco tudo do lado de fora e seguro a corda em minhas mãos. Não sei exatamente por onde começar, mas preciso de suas medidas.Uma de suas pernas sai dos lençóis revelado músculos tensos e cicatrizes. Me aproximo tentando não fazer barulho e coloco a corda ao seu lado, memorizando quantos nós irie precisar. Seria melhor se eu tivesse feito isso com ele acordado.Subo para seus braços. Não vai ficar muito justo, mas eu posso ajustar depois que ele provar...Sua mão passa por sobre minha cabeça me segurando no luga
Parte 1Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakHa Yon SunSeguro o cesto contra minhas costas e me equilibro em um tronco de árvore. Minhas armadilhas ficam a uma boa distância de minha casa, para que não deixem rastros que possam ser seguidos. A primeira estava vazia, mas a segunda tinha um pequeno pássaro da região, um pequeno jokbakguri.Uma ave bonita com penas marrons, a primeira vez que matei um, chorei por quase uma semana, revivendo os minutos em meu pensamento. Eu já tinha visto minha mãe ordenar as outras empregadas a fazer, mas nunca tinha presenciado o momento de fato. Ela havia me ensinado a como dar um corte rápido e limpo diretamente no pescoço para que o animal não sofresse, tinha até ajudado a preparar alguns depois de mortos, no entanto a primeira vez foi traumatizante.Quase não comi, mas me forcei a fazê-lo, eu já havia tirado a vida do animal, precisava honrar sua carne. Com o passar do tempo foi ficando mais e mais fácil.A terceira armadilha tem um pequeno
Parte 2Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakTtang Woo— Você também é inconsistente. Suas roupas e armadura eram velhas e gastas, mas o conjunto do cavalo é completamente novo e parece caro com alguns bordados em seda vermelha. Você fala, tem a postura e a arrogância de um aristocrata, mas seu corpo é coberto de cicatrizes e musculoso como um soldado básico, até mesmo um bandido eu diria.Suas avaliações estão corretas. Ela também é observadora e não deixou nada passar.— Como alguém tão inteligente fez a tolice de acolher um homem e trazer para sua casa? — A pergunta escapa por meus lábios por pura curiosidade. — Eu sei que pedi, mas eu poderia ser um bandido. A pessoas horríveis pelo mundo e o que eu poderia fazer... — coisas que já vi acontecerem com mulheres, crianças, até mesmo outros homens.— Não pensei tão longe. — Suas mãos torcem a barra do véu levemente.— Imagino que não tenha. Sua mãe não lhe ensinou nada sobre o mundo? — Meu tom sai ríspido sem que eu ao menos e
Parte 1Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakTtang Woo Levo uma colher do mingau a boca observando-a. Sua postura é desleixada, um pouco curvada até. Ela descansa as pernas sentando diretamente na madeira da pequena varanda. A blusa amarela fica imperceptível no véu verde, mas posso ver um pouco do bordado de sua saia rosa.O sabor toca minha língua se espalhando por minha boca. Meus olhos se abrem surpreendidos com o quanto é bom. Desde que me lembro tenho comido a comida do palácio, onde supostamente tem os melhores chefes e melhores ingredientes, mas nada se compara a esse simples mingau de arroz.Ela dá um sorriso que eu apenas consigo ouvir, estendi o braço e pega mais um pouco dos vegetais e o coloca no meu prato.— O que você colocou aqui, garota? — Minha voz sai mais surpresa do que soa em minha mente.— Yon Sun. Meu nome é Yon Sun, não garota. — Seu tom é calmo como sempre. O que seria preciso para tirar alguma reação dela? — É apenas um mingau de arroz. — Ela pega u
Último capítulo