O galpão cheirava a ferrugem molhada, óleo velho e sangue seco. A única luz vinha de uma lâmpada pendurada por um fio nu no centro do teto, balançando devagar com o vento que entrava pelas frestas das chapas de metal. Dante estava no canto mais escuro, sentado no chão frio, costas encostadas na parede úmida. Correntes finas — mas fortes o suficiente — prendiam seus pulsos atrás das costas e os tornozelos juntos. A mão esquerda era uma massa latejante de dor: o coto do mindinho enfaixado com pan