A quinta-feira amanheceu com um céu limpo e um silêncio acolhedor. Helena acordou antes do despertador, como sempre, mas dessa vez com o coração inquieto. Na noite anterior, Bianca havia lhe feito um convite inesperado: participar da noite de leitura no Café Aurora.
— É só um texto — dissera Bianca. — Só sua voz. Só você.
Helena havia hesitado. Nunca lera nada em voz alta. Nunca se expôs. Seus cadernos eram refúgios, não vitrines. Mas havia algo na forma como Bianca falava — uma certeza tranqui