O sol de Montserra parecia mais quente do que o normal naquela manhã. Mas não para Helena. Dentro do carro, com os vidros fechados, o ar-condicionado soprava frio, na mesma temperatura do seu coração naquele instante.
Ela ajeitou os óculos escuros no rosto e olhou, pela janela, para a fachada da empresa da família Ferraz. O mesmo lugar onde ela passou anos dando tudo de si, sendo tratada como invisível, como se sua existência fosse um favor que os outros lhe faziam.
— Pronta? — Júlia perguntou