A noite tinha um silêncio diferente, como se até o vento soubesse que algo estava prestes a mudar. Não era o tipo de silêncio comum, mas aquele que pesa nos ombros, como se as paredes invisíveis do momento não pudessem ser rompidas por sons banais.
O ar frio trazia o perfume adocicado da flor-do-deserto que ela mesma havia colocado no vaso na semana passada. O aroma, suave e persistente, parecia se agarrar ao ar, misturado ao cheiro de terra úmida depois da garoa leve que caíra no fim da tarde.