Lia acordou com a sensação de que algo tinha sido deslocado dentro dela.
Não era tristeza.
Era consciência.
O corpo ainda lembrava da noite anterior, do calor contido, do beijo que não foi até o fim justamente porque ambos sabiam que cruzar aquele limite mudaria tudo. Havia desejo, sim. Um desejo intenso, vivo, que pulsava sob a pele. Mas havia algo maior crescendo por cima dele: a necessidade de não se perder outra vez.
Ela se levantou devagar, abriu a janela e deixou o ar frio da manhã tocar