2— Vovó essa é a minha noiva

Dominic Scott

Assim que cheguei à empresa, fui recebido por Lucas com um olhar que misturava alívio e irritação.

— No escritório — ele apenas disse, apontando na direção como se eu não soubesse o caminho.

Segui sem responder. Minha avó nunca vinha ao escritório. Nunca. Vivia em outra cidade e só aparecia em raras ocasiões — aniversários, datas importantes, eventos que exigiam a presença dela. Era estranho, profundamente estranho, que ela estivesse aqui.

Depois do acidente que matou meus pais durante a viagem de aniversário de casamento deles, eu tive que assumir a empresa com apenas dezessete anos. Com o apoio dela, claro. Minha irmã sempre foi mantida afastada dos negócios — estuda artes e é talentosa demais para se perder em planilhas e reuniões.

Abri a porta do meu escritório e a encontrei de costas para mim, observando a vista privilegiada da cidade através do vidro fumê. A postura ereta, os ombros firmes — mesmo com a idade, ela não se permitia fraquejar.

— Vovó — tirei o melhor sorriso que consegui improvisar — Por que não está sentada?

— Eu ainda consigo ficar de pé. Não sou uma velha decreta.

O humor ácido continuava intacto. Cruzei os braços, apoiando-me no batente da porta.

— Precisamos conversar

Balancei a cabeça, sabendo que nada de bom viria dali. Eu conhecia aquele olhar.

Era o mesmo que ela usou antes de me avisar, aos dezessete anos, que eu começaria a trabalhar imediatamente porque ser CEO de uma empresa de tecnologia não combinava com a "energia" dela.

— Você precisa se casar, Dominic.

O ar escapou dos meus pulmões antes que eu percebesse que o tinha prendido.

— O quê? — consegui articular. — Por que isso agora?

— Você está afundando a reputação da empresa na lama. Todos os dias uma mulher diferente, as pessoas comentam. Os conselheiros comentam. Os acionistas comentam.

— E desde quando você se importa?

Ela não respondeu com palavras. Em vez disso, abriu a bolsa de couro preta com movimentos precisos e retirou um documento.

— Está no contrato. Se você não arranjar uma namorada e se casar, você perde a empresa.

Levantei os olhos do papel, sem acreditar.

Levantei os olhos do papel, sem acreditar.

— Você está fazendo isso comigo?

— Não estou fazendo nada. A cláusula sempre existiu. Você que nunca leu o contrato completo antes de assinar.

Ela tinha razão. Eu tinha dezessete anos, recém-saído do velório dos meus pais, e assinei tudo o que colocaram na minha frente. Não li. Não me importei.

Ela sabia disso.

— Isso não vai ser um problema — ouvi minha própria voz dizer, antes que meu cérebro formulasse qualquer estratégia. — Eu tenho uma namorada.

Menti. Claro que menti.

— Ah, sim? — O olhar dela mudou, agora afiado de curiosidade. — Quem é ela?

Abri a boca. Fechei.

Minha mente deu um branco total. Não conseguia pensar em um nome, um rosto, uma alma viva que pudesse se passar por minha namorada sem rir da minha cara ou pedir um pagamento adiantado.

E então, a porta do meu escritório se abriu.

Uma mulher entrou.

Nunca tinha visto aquela mulher na vida.

Cabelos castanhos presos em um coque frouxo — arrumado, mas não desleixado. Olhos cor de mel, lábios rosados, pele que beirava a palidez. Usava uma camisa social branca que marcava discretamente os seios, uma saia preta que parava pouco acima dos joelhos e sapatos de salto alto.

O detalhe que me chamou atenção: quase nenhuma maquiagem. Numa cidade onde as mulheres passavam quilos de base e pó, ela parecia ter saído de um outro lugar.

Uma nova funcionária, talvez?

Estagiária?

— Pode entrar, querida — afinei a voz, transformando-a em algo mais doce, mais fofo, e vi a confusão seu rosto. Mesmo assim, ela obedeceu, entrando com passos cautelosos. — Vovó — virei-me para minha avó com o sorriso mais convincente que consegui — esta é a minha noiva.

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