Mundo de ficçãoIniciar sessãoDominic
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Minha avó observou a moça de cima a baixo como juiz avaliando um animal em leilão. Cada centímetro, cada detalhe anotado em algum arquivo mental. — Qual é o seu nome? — a voz da minha avó soou seca, direta. A moça hesitou por uma fração de segundo, os olhos castanhos passando de mim para Olivia e depois de volta. — Meu nome é Stella — respondeu, a voz firme apesar da situação absurda. — Senhora. — Não me chame de Senhora. Senhora está no céu. Eu sou Olivia Scott. O olhar que Olivia me lançou em seguida foi de desconfiança. Ela sabia que alguma coisa estava errada. Por um momento achei que ela fosse questionar, desmascarar a mentira ali mesmo. Em vez disso, apenas ajustou a alça da bolsa no ombro. — Preciso voltar. A reunião começa em quarenta minutos. Sem um "prazer em conhecê-la", sem um "até logo". Ela simplesmente saiu, os saltos ecoando no corredor. Assim que a porta se fechou, finalmente pude respirar. Virei-me para Stella — que continuava parada no meio da sala, agora com a testa franzida em uma confusão que a tornava ainda mais bonita. — Stella, né? — perguntei, embora já soubesse a resposta. — Sim, senhor. — Você quer casar comigo? Os olhos castanhos dela se arregalaram. A boca se abriu. Fechou. Abriu de novo. Ela piscou três vezes seguidas, como se tentasse reiniciar o cérebro. — Eu... — sua voz saiu estrangulada. — O quê? Dei um passo na direção dela, as mãos nos bolsos da calça, o sorriso que me garantia a maioria das coisas que eu queria. — Casar. Você e eu. Um contrato temporário, seis meses, talvez um ano. Tempo suficiente para minha avó parar de encher o saco e eu reorganizar minha vida. Você recebe um apartamento, um carro, e uma gratificação no final que paga seus próximos dez anos de aluguel. Ela me encarou como se eu tivesse acabado de propor um sequestro. — O senhor está louco? — Provavelmente. Mas isso responde à sua pergunta? Stella apertou os lábios, os dedos envolvendo a alça da bolsa com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. — Eu vim aqui para uma entrevista de emprego — disse, a voz tremendo levemente. — Vaga para assistente administrativa. O senhor... o senhor nem sabe quem eu sou. — Sei seu nome. Stella. É bonito. Combina com você. — Isso não é suficiente para um pedido de casamento! — Não é um pedido — corrigi, aproximando-me mais um passo. — É uma oferta comercial. Pense nisso como... um contrato de trabalho com benefícios estendidos. Ela riu. Não foi um riso de diversão, mas daquele tipo que escapa quando a situação é absurda demais para processar. — O senhor está falando sério? — Nunca estive tão sério na minha vida. Mentira. Eu estava raramente sério. Mas ela não precisava saber disso. Stella me estudou por um longo momento, os olhos castanhos percorrendo meu rosto como se procurasse algum sinal de que tudo aquilo era uma pegadinha escondida. — Por que eu aceitaria algo assim? — Porque, pelo jeito que você apertou a bolsa quando eu falei em gratificação, você precisa do dinheiro. E porque, pelo seu currículo — arrisquei — você não é daqui. Veio de algum lugar menor, está tentando se estabelecer, e um apartamento na região central resolveria metade dos seus problemas. Ela desviou o olhar, mordendo o lábio inferior. — Eu preciso pensar. — Claro — concordei, voltando para minha mesa como se tivesse acabado de fechar um negócio qualquer. — Tenha o cartão. Quando decidir, me liga. Peguei um dos meus cartões na gaveta — desses com apenas nome e número, sem cargo, sem ostentação — e estendi para ela. Stella pegou com medo — Só uma pergunta — ela disse, já na porta. — Fique à vontade. — Por que eu? Por que não qualquer outra? Apoiei os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos. — Porque você estava no lugar certo na hora certa. Ela me encarou por mais um segundo e então saiu.






