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Submissão ou Rendição?

Diana

A cafeteria da empresa estava tranquila naquele início de manhã. Eu mexia no meu café, distraída, tentando parecer o mais normal possível, mesmo com o corpo ainda dolorido das loucuras da noite passada. Carol, como sempre, apareceu do nada e sentou na minha frente com um sorriso curioso demais pro meu gosto.

— E aí, Diana… o que você fez ontem à noite?

Dei um gole no café antes de responder, com a cara mais sonsa do mundo.

— Lavei roupa.

Ela arqueou uma sobrancelha e riu.

— Aham… tá. Só que sua cara diz outra coisa.

Franzi a testa, fingindo confusão.

— Que cara?

— Essa cara aí. De quem foi comida com vontade, suas bochechas estão até coradas. Você tá estranha. Feliz demais pra alguém que só lavou roupa.

Fiquei sem saber o que falar. Pisquei algumas vezes, buscando uma resposta convincente, mas a verdade era que nem eu sabia como disfarçar o caos que tava rolando dentro de mim. Tentei mudar de assunto, mas fomos interrompidas antes que eu pudesse abrir a boca.

— Bom dia, senhoritas.

A voz grave me arrepiou toda. Ethan entrou na cafeteria com aquele ar de CEO impecável e calmo, como se não tivesse me fodido como um animal na noite anterior. Olhei pra ele e engoli seco.

— Bom dia — respondi, tentando manter o tom profissional. Carol repetiu o cumprimento e se levantou em seguida.

— Preciso voltar pra recepção, já já a correria começa — disse, me dando um olhar curioso antes de sair.

Agora éramos só eu e ele. Sozinhos. De novo.

Ele caminhou até a bancada, pegou uma xícara e me encarou por cima da borda da caneca.

— Bom dia, senhorita Muniz. Dormiu bem?

Sorri, tentando parecer casual, mas sentindo o rosto esquentar.

— Como um bebê.

Ele deu um sorrisinho safado, daqueles que sabe o estrago que fez e tomou um gole do café.

— Bom dia! — a voz do vice-presidente ecoou alto demais naquele espaço minúsculo da cafeteria, como se ele tivesse acabado de entrar num palco.

— Bom dia, senhor Nolan! — respondi com um sorriso profissional, pegando minha xícara de café e escapando dali antes que ficasse mais estranho.

James Nolan. O famoso. O galã. O rei do “uma noite só”. Ele é aquele tipo de cara que aparece exatamente quando você termina um namoro, te faz sentir a mulher mais gostosa do planeta por algumas horas e depois desaparece como mágica. E claro, ele também é conhecido por nunca ligar no dia seguinte. Nunca. Nem um “oi sumida” safado ele manda.

Não preciso nem dizer quantas fofocas e mini escândalos esse comportamento já causou aqui dentro da empresa. Sério, se a cafeteira da recepção falasse, já teria lançado um podcast só com os relatos.

E, como se já não bastasse o pacote “perigo total”, ele ainda é o melhor amigo do Ethan. Isso mesmo. A dupla dinâmica. O terror das funcionárias. O combo de testosterona com terno bem cortado. Aqui dentro, algumas meninas chamam os dois de "os Intocáveis do Olimpo" — porque são tão lindos, tão perfeitos e tão fora do alcance que parecem ter caído direto do céu. Ou do inferno, dependendo do ponto de vista.

Eu também pensava que eram inalcançáveis. Que eram tipo aqueles personagens de romance que você sabe que nunca vão olhar pra você, então nem se dá ao trabalho de fantasiar. Bom… até o Ethan me olhar. Me tocar. Me destruir por dentro, me fazer gritar o nome dele e depois agir como se nada tivesse acontecido.

Voltei pra minha mesa com o café quente e a cabeça ainda mais fervendo. Como é que eu ia continuar convivendo com o Ethan, fingindo que tava tudo normal, se meu corpo ainda lembrava cada detalhe da noite anterior? Se minha pele ainda ardia com a memória da boca dele?

***

Eu já tava quase saindo do sistema quando ouvi a batida seca na minha mesa. Ethan. Claro. Porque esse homem tem um radar pra aparecer quando eu tô vulnerável.

— Pode falar, senhor Alencar? — perguntei, tentando soar mais confiante do que me sentia.

— Comigo. Sala de reunião dois. Agora.

Sem explicação. Sem olhar direto. Só aquela ordem. E eu? Obedeci.

Quando entrei, ele apenas trancou a porta. Senti o estômago revirar, mas não de medo — de expectativa. Eu sei que não deveria, mas ele me deixou ainda mais safada.

— Tem alguma coisa errada? — perguntei, de braços cruzados, fingindo pose.

Ele se encostou na mesa, braços cruzados também, e olhou pra mim como se estivesse decidindo o que fazer com a minha alma.

— Eu pensei em você o dia inteiro, Diana.

Aquilo me pegou desprevenida. Pisquei. já sentindo o fogo subir pelas minhas pernas.

— É mesmo?— Perguntei com uma certa ironia.

— É. E cheguei a uma decisão.— Ele falou como se fosse uma das coisas mais importantes da sua vida.

— Sobre?— Perguntei tentando me situar.

— Você é boa em obedecer.— A voz do Ethan saiu tão sexy naquele momento que meu coração pulou uma batida. E a minha garganta secou.

— Acho que obedecer é exatamente a minha função nessa empresa.— Retruquei.

Ele sorriu. Aquele sorriso safado, arrogante. Um pecado com gravata.

Ethan se aproximou lentamente e colocou seus lábios perto demais do meu ouvido.

— Dois dias, Diana. Quero você submissa a mim. Completamente. Sem desculpas. Sem máscaras.

Engasguei no ar.

— Dois dias?—Perguntei tentando parecer desinteressada.

— Isso mesmo. Nada de compromisso, sem romance. Só entrega. Você sendo minha. E eu te mostro como é sentir prazer de verdade.— O tom da sua voz me fez lembrar daquela noite vendada. O melhor orgasmo que já tive na vida.

— E se eu disser não?—Perguntei mesmo sabendo que meu corpo iria acabar cedendo.

— Você não vai dizer que não.

— E por que acha isso?

— Porque depois de ontem a noite, eu finalmente decifrei você. 

— Me decifrou?— Perguntei mais curiosa do que indignada.

— Você sempre teve o controle de tudo na sua vida, sempre soube qual era o seu próximo passo.— O filho da mãe estava certo. Ele continuou falando

— Mas além de um bom emprego,o que mais esse controle te trouxe? Uma vida sexual frustrada, sem prazer. O seu controle Diana… .te aprisionou.— Engoli em seco. Ele estava certo, mas eu não ia admitir nada disso.

— E agora querida secretaria, você tem duas opções, continuar nessa vida frustrada, ou ter a oportunidade de saber como é ser minha de verdade.— Ele mordeu a minha orelha,fazendo meu corpo arrepiar, e quando eu achei que realmente ia rolar alguma coisa, ele se afastou.

Ele deu dois passos para trás.E antes que eu pudesse responder, ele abriu a porta.

— Pense com carinho, senhorita Muniz. Só hoje. Amanhã, espero sua resposta.

E saiu. Simplesmente saiu

Me deixando ali. Molhada. Tremendo. E completamente perdida entre o certo e o absolutamente errado.

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