༺ Amara Wild ༻
O parque parecia um pequeno paraíso em meio ao concreto da cidade. O sol da manhã iluminava cada pétala, transformando as flores em joias cintilantes espalhadas pelo gramado úmido.
O ar fresco trazia um perfume adocicado, misturado ao cheiro da terra molhada, e por alguns instantes senti que podia esquecer minhas dores.
Mesmo grávida, eu me recusava a parar com os estudos; essa expedição de botânica era parte de mim, daquilo que ainda me fazia sentir viva.
— Amara, olha só essa aqui — chamou Sônia, minha colega de turma, erguendo uma rosa de tonalidade rara, quase azulada, com espinhos longos e retorcidos.
Peguei-a com as luvas, observando com atenção.
— Diferente... nunca tinha visto. Você sabe o nome?
— Ainda não, o professor vai catalogar depois. Parece híbrida — explicou, empolgada.
O grupo seguia animado, ouvindo o professor discorrer sobre uma trepadeira venenosa logo à frente. Minha mente, porém, já reclamava cansaço. Carregar dois corações dentro de mim não era