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Entre o dever e o silêncio

O caminho até a casa atravessava uma extensão larga de floresta, protegida por patrulhas constantes. Mesmo antes de a construção surgir entre as árvores, já era possível notar a presença de guardas posicionados em pontos estratégicos, atentos a qualquer movimento. Nada naquele lugar era deixado ao acaso.

Quando finalmente apareceu, a casa de campo não tinha nada de simples. Era ampla, imponente, construída em madeira escura e pedra, com estruturas altas e reforçadas, cercada por espaço aberto suficiente para garantir visibilidade e segurança. Não era um castelo, mas também não era apenas uma casa.

Era o centro de tudo que realmente importava para ele.

Kael Draven diminuiu o ritmo ao se aproximar, seu olhar passando rapidamente pelos homens ao redor. Nenhum deles relaxou completamente, mesmo reconhecendo sua presença. Era assim que ele queria. Sempre alerta. Sempre prontos.

Ele entrou sem anunciar, atravessando o interior amplo, onde o calor da madeira contrastava com a rigidez do mundo exterior. O ambiente era silencioso, mas vivo, carregando o cheiro suave de ervas e algo familiar que sempre o fazia desacelerar, ainda que minimamente.

— Você voltou mais cedo.

A voz de sua mãe veio tranquila, como se já soubesse.

Kael a observou por um breve instante antes de responder.

— Não havia motivo para ficar.

Ela o analisou com aquele olhar atento de sempre.

— Há algo te incomodando.

Não era uma pergunta.

Kael desviou o olhar, caminhando até uma das janelas largas.

— O conselho.

Ela suspirou baixo.

— Sempre eles.

O silêncio se instalou por alguns segundos.

— Você está carregando mais do que deveria — ela disse, aproximando-se.

Kael apoiou a mão na madeira.

— É o necessário.

— Seu pai também acreditava nisso.

A menção fez com que ele ficasse imóvel por um instante. A lembrança estava ali. A batalha. Os renegados. A perda.

— Eu não sou ele — respondeu, sem emoção.

Ela sorriu de leve.

— Eu sei.

Kael se afastou sem dizer mais nada, seguindo para a parte de trás da casa. O espaço aberto o recebeu com o vento mais forte e o cheiro da floresta viva ao redor. Ele respirou fundo uma única vez.

E então deixou acontecer.

A transformação veio com controle absoluto. Seu corpo se ajustando com precisão, força se expandindo sem descontrole. Quando terminou, o lobo ocupava o espaço.

Imenso.

Maior do que qualquer outro que já havia caminhado por aquelas terras.

Seu pelo negro absorvia a luz, e seus olhos carregavam uma intensidade que poucos seriam capazes de sustentar. Cada passo marcava o chão com peso real, presença inegável. A estrutura do corpo era superior, sólida, dominante.

Maior do que o de seu pai foi.

Maior do que qualquer história que já haviam contado.

Um lobo que não deveria existir… mas existia.

— Ainda consegue ficar maior, pelo visto.

A voz surgiu à direita, casual.

O lobo virou a cabeça.

Seu irmão estava encostado na estrutura, observando com um leve sorriso.

— Está tentando superar o velho ou só quer assustar todo mundo? — ele continuou, cruzando os braços.

Kael permaneceu em silêncio, apenas o encarando por um instante antes de se aproximar alguns passos.

— Porque, se for a segunda opção… está funcionando.

Depois de alguns segundos, Kael voltou à forma humana, o processo tão controlado quanto antes. Passou a mão pelos cabelos, retomando a postura como se nada tivesse acontecido.

— Você está estranho — o irmão comentou, agora mais atento.

— Não.

— Está, sim. Eu te conheço.

Kael sustentou o olhar por um segundo antes de responder.

— O conselho.

O irmão soltou um pequeno riso.

— Claro. Sempre eles.

— Estão pressionando.

— Pela Luna — ele completou.

Kael não respondeu.

— Vai continuar ignorando? — o irmão perguntou.

Kael desviou o olhar brevemente.

— Quando for necessário, eu resolvo.

O irmão balançou a cabeça, já esperando isso.

— Vai ter aquela reunião em alguns dias. Vários territórios… muita gente importante.

Kael permaneceu em silêncio.

— Talvez você encontre alguém lá — ele provocou, com um meio sorriso.

Kael o encarou, inexpressivo.

— Talvez não.

O irmão soltou uma risada baixa, aproximando-se mais.

— Você é impossível.

E então, sem aviso, passou o braço pelos ombros de Kael, puxando-o em um abraço rápido, firme — algo raro, mas natural entre eles.

— Vamos entrar antes que a nossa mãe fique preocupada porque estamos demorando — disse, já começando a guiá-lo em direção à casa. 

Kael não reagiu ao gesto… mas também não se afastou.

Apenas seguiu ao lado dele.

E, por um breve momento, longe das pressões, do conselho e das expectativas…

Ele permitiu que aquilo fosse suficiente.

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