O Imperador

O som seco do impacto ecoava pelo campo de treinamento, quebrando o silêncio da manhã com precisão constante. Kael Draven se movia sem pressa, mas cada golpe carregava força e controle suficientes para deixar claro que aquilo estava longe de ser um treino comum. O corpo respondia com naturalidade, como se cada movimento já estivesse gravado nele há anos, e talvez estivesse mesmo.

O guerreiro à sua frente mal conseguia acompanhar. Tentava manter a postura, bloquear, reagir… mas era inútil. Kael não demonstrava esforço, não havia tensão em seus músculos além do necessário. Apenas eficiência.

Mais um golpe.

O homem foi ao chão.

Kael não se apressou em se afastar. Apenas observou por um segundo, avaliando, como se decidisse se aquilo havia sido suficiente.

— Levante — disse, sem alterar o tom.

O guerreiro obedeceu imediatamente, ainda ofegante, retomando a posição mesmo sabendo que não teria vantagem alguma. Kael não esperou. Avançou novamente, dessa vez encerrando o combate com um movimento rápido e preciso que o derrubou pela segunda vez.

Silêncio.

Alguns dos homens ao redor evitaram encarar diretamente a cena. Não por medo… mas por respeito.

Kael passou a mão pelos punhos, ajustando as faixas com calma, como se nada daquilo tivesse importância real. Sua respiração permanecia estável, o olhar vazio de qualquer emoção.

— Você está pegando leve.

A voz de Ronan surgiu atrás dele, carregada de familiaridade.

Kael não se virou imediatamente.

— Não.

Ronan se aproximou alguns passos, observando o guerreiro ainda caído antes de voltar a atenção para Kael.

— Então ele que é ruim mesmo.

Um leve silêncio se seguiu, mas não houve reação. Kael simplesmente começou a caminhar pelo campo, ignorando completamente o homem no chão.

Ronan o acompanhou sem dificuldade.

— Você não dormiu de novo — comentou, cruzando os braços.

— Não era necessário.

— Nunca é, pelo visto.

Kael parou apenas quando chegou ao centro do campo, pegando uma espada de treino deixada ali. Girou a arma na mão com naturalidade, testando o peso antes de assumir uma nova posição.

— Fale o que veio falar — disse, direto.

Ronan soltou um pequeno suspiro, como se já esperasse por aquilo.

— Os conselheiros estão pressionando outra vez.

Kael iniciou uma sequência de movimentos com a espada, cortes limpos, precisos, quase mecânicos.

— Eles sempre estão.

— Agora é diferente.

Kael não respondeu de imediato, mas também não precisava.

— A questão da Luna — Ronan continuou. — Você já recusou alianças suficientes. Estão começando a interpretar isso como um problema.

Kael interrompeu o movimento por um breve segundo, apenas o suficiente para mostrar que ouviu.

— Não é um problema.

— Para eles, é — Ronan rebateu, firme. — Um alfa sem Luna não transmite estabilidade. Principalmente alguém na sua posição.

Kael voltou a se mover, dessa vez com mais intensidade, a lâmina cortando o ar com força controlada.

— Eu não preciso de uma Luna para governar.

— Talvez não — Ronan disse, aproximando-se um pouco mais. — Mas o território pode precisar.

O som da espada parou.

Kael permaneceu imóvel por um segundo antes de abaixar a arma lentamente. Seu olhar se voltou para Ronan, frio, direto.

— Quando for necessário, eu resolvo.

Ronan sustentou o olhar.

— E quando isso vai acontecer?

O silêncio que se seguiu foi curto, mas carregado.

— Quando houver alguém digno — Kael respondeu, sem hesitar.

Ronan soltou uma leve risada, balançando a cabeça.

— Então estamos sem opções.

Kael não reagiu ao comentário, apenas desviou o olhar, caminhando alguns passos enquanto apoiava a espada de volta onde a pegou.

— Há candidatas — Ronan insistiu. — Fortes, influentes, úteis para alianças. Você não considera nenhuma.

Kael parou, passando a mão pelo punho como se limpasse algo invisível.

— Eu não escolho por conveniência.

— Não, você não escolhe — Ronan retrucou. — Esse é o ponto.

O silêncio voltou a se instalar, mas não havia tensão suficiente para incomodar Kael. Ele apenas observava o campo à sua frente, como se aquela conversa fosse irrelevante.

— Quando for relevante, eu saberei.

Ronan o analisou por alguns segundos antes de assentir de leve.

— Só espero que não demore.

Kael não respondeu.

Ele não sentia falta de nada. Não havia vazio, nem necessidade. Tudo estava exatamente como deveria estar. Sob controle.

Seu olhar percorreu o campo, os guerreiros, o território além das estruturas. Cada detalhe em seu devido lugar. Cada pessoa cumprindo seu papel.

Era isso que importava.

Por um breve instante, porém, seu olhar se desviou.

Sem motivo claro.

Na direção do território vizinho.

Seus olhos permaneceram ali por um segundo a mais do que o normal, como se algo tivesse chamado sua atenção… mas sem explicação.

Então ele simplesmente virou o rosto.

Ignorando.

Como sempre fazia com tudo que não considerava importante.

E, até aquele momento…

Nada ali era.

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