O primeiro dia de Tayná na Grier Enterprises começou antes mesmo de o sol nascer.
Ela acordou às cinco e meia da manhã, embora seu despertador estivesse programado para tocar às seis.
Não conseguira dormir direito.
Passara boa parte da noite pensando na entrevista do dia anterior.
Principalmente no homem que estaria esperando por ela naquela manhã.
Isac Grier.
Tayná não conseguia explicar por que a presença dele havia ficado em sua cabeça.
Talvez fosse apenas nervosismo.
Era seu primeiro emprego em Nova York.
Seu primeiro passo para reconstruir a própria vida.
Ela se levantou, tomou banho e escolheu uma roupa discreta e elegante.
Não queria chamar atenção.
Queria apenas trabalhar.
Quando chegou à empresa, o enorme prédio pareceu ainda maior do que no dia anterior.
Respirou fundo antes de entrar.
— Você consegue — murmurou.
Às oito em ponto, estava diante da mesa que seria seu novo espaço de trabalho.
Tudo estava perfeitamente organizado.
Pastas alinhadas.
Computador ligado.
Telefone ao lado.
Nenhum objeto pessoal.
Aquilo combinava perfeitamente com Isac.
— Bom dia.
Tayná levantou os olhos.
Isac estava parado diante dela.
Terno escuro.
Camisa perfeitamente alinhada.
Expressão séria.
Ele olhou para o relógio.
— Oito em ponto.
— Você disse que não gostava de atrasos.
— Bom.
Tayná sentou-se.
— Mais alguma regra?
Isac a encarou.
— Três.
Ela esperou.
— Confidencialidade.
— Certo.
— Profissionalismo.
— Certo.
Ele fez uma pausa.
— Distância.
Tayná franziu a testa.
— Distância?
— Sim.
— Em relação a quê?
— A mim.
Ela ficou alguns segundos em silêncio.
— Você é meu chefe.
— Exatamente.
— Então eu não entendi.
Isac aproximou-se um pouco.
— Não quero que nosso relacionamento profissional se torne pessoal.
Tayná sustentou seu olhar.
— Não tenho interesse nisso.
A resposta veio tão rápido que Isac ficou ligeiramente surpreso.
— Ótimo.
— Alguma outra regra?
— Não.
Ela abriu uma pasta.
— Então podemos começar?
Isac observou-a por alguns segundos.
— Sim.
Virou-se.
Deu dois passos.
Parou.
— Tayná.
Ela levantou os olhos.
— Sim?
— Não gosto de perguntas desnecessárias.
Ela sorriu.
— Eu também não.
E voltou ao trabalho.
Isac entrou em sua sala.
Fechou a porta.
Passou a mão pelo rosto.
Aquilo não deveria ter sido difícil.
Era apenas uma funcionária.
Uma secretária.
Nada além disso.
Ele repetiu isso mentalmente.
Mas havia algo nela que o incomodava.
Tayná não parecia impressionada com sua riqueza.
Não tentava agradá-lo.
Não demonstrava medo.
E, principalmente, não parecia interessada em seu dinheiro.
Era diferente.
As primeiras horas passaram rapidamente.
Tayná descobriu que trabalhar para Isac Grier exigia atenção absoluta.
Ele queria tudo organizado.
Reuniões precisavam começar no horário.
Documentos deveriam estar prontos antes que fossem solicitados.
Nenhum erro passava despercebido.
Apesar disso, ele não era injusto.
Era apenas exigente.
Perto do meio-dia, Tayná finalmente se afastou da mesa.
Foi até a pequena área de café.
Encontrou uma mulher ali.
— Você é nova.
Tayná sorriu.
— Sou.
— Tayná?
— Sim.
— Nora.
As duas apertaram as mãos.
— Como está sobrevivendo?
Tayná riu.
— Não sei ainda.
Nora sorriu.
— Então você já descobriu como ele é.
— Um pouco.
— E?
— Exigente.
— Só isso?
Tayná pensou.
— Reservado.
Nora soltou uma risada.
— Essa é uma forma educada de dizer assustador.
Tayná riu.
Nora apoiou-se no balcão.
— Você sabe que é raro ele contratar alguém pessoalmente?
— Ele fez a entrevista.
— Exatamente.
— Talvez eu tenha tido sorte.
Nora a observou.
— Talvez.
Tayná pegou sua xícara.
— Você trabalha aqui há muito tempo?
— Cinco anos.
— E gosta dele?
Nora arregalou os olhos.
— Como chefe.
Tayná sorriu.
— Claro.
— Como homem, prefiro homens que sorriem.
Tayná riu.
Nora, porém, ficou séria.
— Só tome cuidado.
— Com o quê?
— Com Isac.
— Por quê?
Nora olhou ao redor antes de responder.
— Porque ninguém chega perto dele.
— Talvez ele não queira.
— Exatamente.
Tayná ficou em silêncio.
— Ele já teve alguém?
Nora hesitou.
— Teve.
— E o que aconteceu?
— Ela morreu.
O sorriso de Tayná desapareceu.
— Sinto muito.
— Foi há alguns anos.
— Deve ter sido difícil.
— Foi.
Antes que pudesse perguntar mais alguma coisa, a porta da sala de Isac se abriu.
Ele saiu.
Seus olhos percorreram o ambiente.
Pararam em Tayná.
Ela sentiu o coração acelerar levemente.
Não sabia por quê.
Talvez fosse o jeito como ele a olhava.
Intenso.
Silencioso.
Como se tentasse descobrir alguma coisa.
Isac caminhou até elas.
— Tayná.
— Sim?
— Preciso daquele contrato revisado.
— Está na sua mesa.
Ele ficou surpreso.
— Já?
— Você pediu há vinte minutos.
Nora disfarçou um sorriso.
Isac olhou para Tayná.
— Certo.
Virou-se.
Depois de alguns passos, parou.
Olhou novamente para ela.
— Bom trabalho.
Foi simples.
Mas Tayná percebeu que, para alguém como Isac, aquilo parecia quase um elogio.
— Obrigada.
Ele entrou na sala.
Nora imediatamente olhou para Tayná.
— Interessante.
— O quê?
— Ele nunca elogia ninguém.
— Foi apenas um comentário.
— Claro.
Tayná voltou para sua mesa.
Tentou ignorar o sorriso que apareceu involuntariamente em seu rosto.
No final do expediente, Tayná organizou os últimos documentos.
Quando pegou a bolsa, percebeu que Isac ainda estava trabalhando.
A porta da sala estava entreaberta.
Ela pensou em ir embora.
Mas algo a fez parar.
Isac estava diante da janela.
De costas.
Parecia distante.
Sozinho.
Por alguns segundos, Tayná teve a sensação de que havia uma tristeza escondida naquele homem.
A mesma que vira em seus próprios olhos diante do espelho.
Ela não deveria se importar.
Ele havia estabelecido uma regra.
Distância.
E ela pretendia respeitá-la.
— Boa noite, senhor Grier.
Ele se virou.
— Boa noite, Tayná.
Ela saiu.
Isac permaneceu olhando para a porta.
Três regras.
Confidencialidade.
Profissionalismo.
Distância.
As duas primeiras seriam fáceis.
A terceira, porém, já começava a parecer impossível.
Porque, pela primeira vez em muito tempo, ele estava curioso sobre alguém.
E curiosidade, Isac sabia muito bem, era o primeiro passo para algo muito mais perigoso.
Tayná, por sua vez, caminhava pelo corredor tentando convencer a si mesma de que aquele homem não significava nada.
Ela havia ido para Nova York para esquecer o amor.
Não para encontrar outro.
Mas algumas histórias não começam quando estamos preparados.
Começam justamente quando acreditamos que não queremos mais sentir nada.