Capítulo 8

O sol já iluminava o quarto quando uma batida firme na porta acordou Rafaela.

TOC TOC TOC

Ela abriu os olhos, ainda sonolenta.

— Já vai… — murmurou, levantando devagar.

Ao abrir a porta, deu de cara com Priscila, animada como sempre.

— Finalmente acordou! — disse ela, sorrindo — anda, hoje tem aula.

— Aula? — Rafaela estranhou.

— Pole dance — respondeu, cruzando os braços — a Lorrane chamou uma professora só pra você… mas a gente vai aproveitar também, né?

Rafaela sentiu um leve frio na barriga.

Era tudo muito novo.

Mas ela assentiu.

— Eu vou.

Minutos depois, já arrumada, Rafaela seguiu com Priscila até o salão.

O espaço era amplo, com barras de pole espalhadas e espelhos por todos os lados. A iluminação era suave, criando um ambiente elegante… e intenso.

A professora já estava lá.

Alta, confiante, com um olhar experiente.

Priscila foi a primeira.

Subiu na barra com facilidade, como se aquilo fosse natural para ela. Seus movimentos eram fluidos, seguros… cheios de atitude.

Rafaela observava atentamente.

— Muito bem — disse a professora — agora…

Ela olhou ao redor.

— Cadê a Rafaela?

Rafaela respirou fundo e deu um passo à frente.

— Sou eu…

A professora a analisou de cima a baixo.

— Vamos ver do que você é capaz.

Rafaela se aproximou da barra.

O coração acelerado.

Mas dessa vez… diferente de antes… ela estava decidida.

Segurou firme.

E tentou.

Com esforço… conseguiu subir.

Isso já arrancou um leve sorriso da professora.

— Você tem força… — disse — mas falta se soltar.

Rafaela desceu, um pouco ofegante.

— Aqui não é só técnica… é atitude.

A professora cruzou os braços.

— Eu quero que você  tire a roupa e dance só de calcinha e sutiã.

O ambiente ficou em silêncio.

Rafaela hesitou por um instante.

Era difícil.

Mas ela sabia…

Aquilo agora fazia parte da vida que escolheu.

Com um pouco de timidez, deixou apenas as peças mais leves para facilitar os movimentos, como a professora havia orientado.

Respirou fundo.

Subiu novamente.

Dessa vez…

Foi diferente.

Seus movimentos começaram mais tímidos…

Mas aos poucos…

Foram ganhando fluidez.

Ela deslizou pelo pole.

Girou.

Subiu mais alto.

O cabelo loiro acompanhando cada movimento.

Havia beleza.

Naturalidade.

E algo a mais…

Uma força que vinha de dentro.

Quando desceu, controlando o movimento até o chão, o salão ficou em silêncio por um segundo.

A professora sorriu.

— Interessante…

Deu alguns passos à frente.

— Parece que você nasceu pra isso.

Priscila, ao lado, observava surpresa.

Rafaela ainda respirava fundo.

Sem saber exatamente o que sentir.

Mas uma coisa era certa…

Ela estava mudando.

E começando a descobrir um lado dela…

Que nem ela mesma conhecia.

Aquele dia foi intenso.

Horas e mais horas de treino.

Subidas, giros, quedas… e tentativas de novo.

Rafaela estava cansada… mas feliz.

Pela primeira vez, sentia que estava realmente melhorando.

Do outro lado do salão, Lorrane observava em silêncio.

Braços cruzados.

Olhar atento.

E um leve sorriso discreto no rosto.

Ela sabia reconhecer potencial.

E Rafaela… tinha muito.

Mais tarde, quando a aula terminou, Lorrane se aproximou.

— Você evoluiu rápido — disse, direta.

Rafaela respirava fundo, ainda ofegante.

— Eu quero me apresentar logo… — falou, com determinação — preciso começar a ganhar dinheiro.

Lorrane levantou levemente o queixo, analisando.

— Ainda não.

Rafaela franziu a testa.

— Mas eu já consigo…

— Eu sei — interrompeu — mas a sua estreia… não vai ser qualquer noite.

Ela se aproximou um pouco mais.

— Vai ser quando a casa estiver cheia… de homens importantes… ricos… que pagam caro.

Rafaela ficou em silêncio.

Aquilo era maior do que ela imaginava.

— Então me avisa quando for — pediu.

Lorrane deu um pequeno sorriso… quase misterioso.

— Não.

Rafaela se surpreendeu.

— Você tem que estar pronta todos os dias — completou — porque quando acontecer… você sobe.

Sem aviso.

Sem preparo.

Sem segunda chance.

O coração de Rafaela acelerou.

— Agora vai descansar — disse Lorrane, virando-se — você vai precisar.

No quarto, Rafaela ainda estava absorvendo tudo…

Quando a porta abriu sem aviso.

— Bora! — disse Priscila, animada.

— Que correria é essa? — Rafaela perguntou, confusa.

— Ordem da Lorrane — respondeu — salão. Cabelo.

Rafaela levou a mão até os fios loiros.

— Cortar?

— Relaxa… é pra melhorar — disse Priscila — muito grande atrapalha na dança.

Depois de hesitar… Rafaela aceitou.

No salão, o ambiente era elegante.

Espelhos grandes.

Luzes quentes.

Profissionais atentos.

Rafaela sentou na cadeira, ainda um pouco insegura.

Quando os primeiros fios começaram a cair…

Ela sentiu.

Era como se estivesse deixando parte da antiga vida para trás.

Minutos depois…

Quando se olhou no espelho…

Quase não se reconheceu.

O cabelo agora na altura das costas, leve, com movimento.

A maquiagem destacando seus olhos verdes.

Ela parecia…

Mais forte.

Mais confiante.

Mais… dona de si.

— Agora sim — disse Priscila, sorrindo — você tá pronta pra causar.

Rafaela deu um pequeno sorriso, tímido… mas feliz.

— Vamos comemorar — disse Priscila — só uma bebida.

— Eu nunca bebi… — respondeu Rafaela, insegura.

— Sempre tem a primeira vez.

Depois de insistência…

Ela aceitou.

A primeira cerveja veio.

Rafaela fez careta.

— Isso é ruim! — disse, rindo.

Priscila caiu na gargalhada.

— Você acostuma!

Depois veio uma dose de uísque.

Mais forte.

Mais quente.

Rafaela sentiu o corpo relaxar.

O riso mais solto.

A mente mais leve.

Por alguns momentos…

Ela esqueceu tudo.

De volta à boate, as duas entraram rindo.

Lorrane observou de longe.

— O que houve? — perguntou.

— Só uma cerveja… e um uísque — respondeu Priscila, tranquila.

Lorrane deu um leve sorriso.

— Bom… ela precisa aprender a se soltar mesmo.

Seus olhos passaram por Rafaela.

Como quem avaliava… cada detalhe.

Mais tarde, no quarto…

Sozinha…

Rafaela abriu a sacola.

As lingeries.

Tecidos delicados.

Cores marcantes.

Ela passou a mão por uma delas.

Pensativa.

Imaginando.

Ela se levantou…

Ficou em frente ao espelho.

Segurou uma das peças contra o corpo.

Se imaginando no palco.

Luzes.

Olhares.

Expectativa.

O coração acelerou.

Veio a vergonha.

Mas também…

Algo novo.

Uma coragem que ainda estava nascendo.

— Eu consigo… — disse baixinho.

Respirou fundo.

— Eu preciso conseguir.

Ela fechou os olhos por um instante.

Tentando imaginar.

Se soltando.

Se transformando.

Porque ali…

Não havia espaço para a garota insegura.

Só para a dançarina que ela precisava se tornar.

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