Os dias na casa da minha avó passaram mais rápido do que eu imaginava.
Talvez porque minha cabeça nunca parou de pensar no morro.
Ou talvez porque, no fundo, eu já soubesse que não pertencia àquela calmaria.
Eu tentei.
Juro que tentei aproveitar o silêncio, o rio, os cafés da manhã tranquilos e as noites sem tiro.
Mas aquilo começou a parecer emprestado.
Como se eu estivesse vivendo a vida de outra pessoa.
Minha avó fazia bolo. Minha mãe tentava relaxar. Meu pai fingia descansar.
Só que eu via.