Damiano Leone
O som dos soluços dela ecoava na minha mente, um ruído de fundo constante e agonizante, mesmo depois que o sono exausto finalmente a levou. Fiquei sentado no chão, ao lado da cama, observando cada movimento seu, cada suspiro ofegante. Minha mão direita latejava, o sangue já seco entre os nós dos dedos e nas feridas abertas. A parede do quarto dela exibia a cratera da minha raiva, um testemunho mudo do furacão que me consumia por dentro.
Giorgio Mercier.
O nome era um veneno na minha boca. Um eco de riso afetado, um cheiro de perfume caro que agora me cheirava a podridão. Ele havia tocado nela.
Machucado ela e a marcando.
E sorriu para ela, aqui, sob o teto que jurei proteger. Sob o meu próprio nariz.
A fera dentro de mim não rosnava mais. Ela urrava, exigindo sangue, exigindo vingança. Cada segundo que passava era uma agonia. Cada batida do meu coração era um martelo gritando o nome dele.
Eu não podia ficar ali. Olhar para ela, tão frágil, tão quebrada, e não fazer nada…