Fabrizia Giordano
A estrada serpenteava entre colinas verde-esmeralda sob um céu toscano de um azul implacável. No carro, um silêncio espesso e pesado envolvia tudo, abafado pelo ronco suave do motor. Eu me encolhia no banco de couro negro, tentando me fazer pequena e invisível.
Minhas mãos, machucadas pelos castigos que sofria sempre que tentava fugir daquele lugar horrendo.
Na frente, Damiano Leone guiava com uma concentração absoluta. Seus ombros largos quase tocavam o teto do automóvel. Através do retrovisor, eu podia ver seus olhos. A cor do âmbar escuro, o mesmo tom do conhaque que vi tantos clientes beberem ao entrar no lugar onde me possuíam.
Eles não se moviam da estrada, mas por algumas vezes, uma fração de segundo, eu sentia o peso desse olhar pousar sobre meu reflexo no espelho.
Não era um olhar de curiosidade ociosa. Era um estudo. Uma avaliação intensa, quase visceral, que me fazia querer abrir a porta e rolar pela estrada abaixo. Era o olhar de um predador que encontrou