Paula Moretti
Olhei-me uma última vez no espelho do quarto. O reflexo mostrava uma estranha: uma mulher com a maquiagem de noiva ainda impecável, um vestido azul-anil simples que contrastava com a bota ortopédica grotesca no meu pé, e olhos que já haviam testemunhado demais para uma só vida. Um pressentimento pesado, como uma pedra no fundo do meu estômago, insistia que eu não deveria descer. Mas a alternativa de ser “arremessada pela varanda” era consideravelmente pior.
Toquei o tecido do vest