capitulo3

 Meu pai desceu de braço dado com minha mãe, e eu e Mariana já nos deslocamos para a mesa de bebidas, enquanto nos afastavamos, eu podia ouvir os protestos do meu pai, me dizendo para não sumir porque ele queria me apresentar  pessoas, ao que eu respondi, que tudo bem, porque o resto eu não consegui ouvir, porque Mariana que afastava cada vez mais deles, nos aproximava cada Vez mais da mesa de bebidas.

Derrepente, com um olhar distraído, eu viro minha cabeça e não acredito no que meus olhos veem, ali parado com um copo na mão estava o Igor !! Rapidamente me virei para Marina e disse:- eu não posso acreditar que meu pai tenha feito isso!!! Será que ele convidou  mesmo esse ordinário?! Eu não posso acreditar. Eu estava tão indignada que pude sentir o calor subindo pelo meu rosto, e a raiva tomando conta de mim, até que a Mariana me chamou a realidade .- mas menina, se você não contou para eles exatamente o que aconteceu, como você espera que eles estejam com a mesma raiva que você? E além do mais, não acredito que seus pais tenham convidado ele, ele deve ter  vindo com alguém, tu já descobriu quem é a mulher do telefone? – nem quero saber, eu já risquei ele da minha vida, eu só fico chocada é com a cara de pau dele meu Deus !!! Nesse momento, minha mãe chegou até nós na mesa, passou a mãe pelas minhas costas e disse próximo ao meu ouvido : - fique calma!!! Ele veio acompanhado alguns outros convidados, apenas ignore. Balancei a cabeça positivamente e voltamos a rir, enquanto estávamos ali nos descontraindo, meu pai se aproximou e me disse: - tem algumas pessoas que eu gostaria de ti apresentar- vendo minha careta  ele logo completou a frase- é rápido são, fornecedores, que eu acredito serem bem influentes para sua carreira-. Eu refiz minha postura séria e fui, afinal, eu gosto muito da carreira que escolhi, e não ia me matar, me fazer de simpática para um daqueles velhos babões, pensei para mim. A medida que nos dirigirmos ao encontro da pessoa que meu pai queria me apresentar, eu fui ouvindo uma  voz que me pareceu estranhamente familiar, mas ainda não  conseguia distinguir, com precisão a quem a voz pertencia. Conforme nos aproximávamos Comecei a ter uma sensação estranha em relação àquela voz, ainda guiada pelo meu pai,  fomos abrindo espaço em meio a outros senhores elegantes, e senhoras distinta,  formalmente vestidos, e ali em meio aos outros convidados a imagem dele se destacou. Era  alto, tinha ombros largos, cabelos castanhos e olhos verdes, era um homem que, seguramente não passaria despercebido, me distrai com a imagem do homem, e não me dei conta de que caminhávamos em direção a ele, quando dei por mim estávamos ali, sem que eu pudesse frear a situação, foi quando  eu ouvi a voz do meu pai, que parecia meio distante: - Filipe,  boa noite  deixa eu te apresentar minha filha, Priscila!

E quando ele se virou tudo parecia em câmera lenta , foi uma fração de segundo e pareciam muitos minutos, quando ele se virou, e olhou em minha direção e eu olhei nos olhos dele, minha mente viajou até aquela noite,  no bar. Minhas  ideias fragmentadas começaram a se juntar, ainda sem muito sentido, quando ele ergueu a mão  para me cumprimentar e me disse,-muito prazer- senti uma espécie de tremor por dentro, nunca havia sentido algo parecido, olhei para sua mão estendida e rapidamente para seu rosto, ele trazia um sorriso, que me pareceu um pouco malicioso,  então me recompus rapidamente, estendi minha mão, e retribui o  cumprimento. Tentei parecer o mais formal possível, meu pai me disse rapidamente, que ele era sou sócio, mas que a muitos anos não voltava a cidade, assenti  com a cabeça, mas na verdade não prestei muita atenção,  então quando olhei de relance para ele novamente, percebi que ele me olhava também, e agora não tive dúvidas , havia realmente, uma malícia no seu sorriso. Senti  minha face aquecer levemente, pedi licença a meu pai e aos outros e saí, precisava me recompor, e colocar as ideias em ordem, afinal o que estava havendo? Fui até o banheiro, me olhei no espelho, e tentei me concentrar na sensação, e gostaria de entender, porque parecia familiar , a voz, o cheiro, o toque, a força. Então tentei muito me lembrar, como poderia reconhecer alguém que nunca toquei? Nem sequer conhecia? E derrepente uma lembrança sutil aflorou, uma voz que repetia, cordeirinha,...  só minha cordeirinha... será possível!?  Resolvi tentar agir o mais normal possível, tentando a todo custo, não deixar que o olhar dele me intimidasse. A  muito custo, me recompus  e estava bem confiante de que me plano daria certo, e porque não daria?? Quando sai do banheiro, ainda com esse pensamento, me deparei com aquele homem na porta, e meu Deus, ele era realmente lindo, olhei para ele, lembrei do meu plano e segui em frente, quando eu passava por ele, senti sua mão segurar meu braço, parei, mas não me atrevi olhar para ele de imediato, então ele inclinou a cabeça, de forma que, pude sentir o cheiro de sua loção pós barba, misturado com o perfume dele. Ele  se inclinou,  e  sussurrou no meu ouvido, com uma voz baixa e rouca, que fez meus cabelos da nuca se arrepiarem:- vai onde minha cordeirinha, tá fugindo de mim? –  nessa hora, um frio me subiu quase imediatamente pela espinha, e um rubor subiu para meu rosto, as imagens daquela noite, me vieram como um filme na cabeça, todas de uma só vez, lembrei de tudo o que havíamos feito naquela noite. Por um segundo eu congelei, e ele continuou falando,- pelo que vejo já encontrou o caminho novamente, será que seu pai sabe, o que você anda fazendo pra encontrar seu caminho??  De repente uma fúria cresceu dentro de mim, e eu soltei meu braço das mãos dele, onde há se viu, sujeito arrogante e respondi mais que depressa:- como uma mulher independente que sou, não devo satisfação a ninguém sobre o que faço da minha vida.- Não dei a ele oportunidade de me responder, virei e sai, antes que ele pudesse me impedir, não podia mais ficar na presença dele, era de algum modo perturbador, era como se derrepente me faltasse a ar, precisava urgentemente espaço para pensar, e me retirei.

Encontrei Mariana no caminho, peguei no braço dela e carreguei ela até o jardim, precisava respirar,- meu Deus, eu não acredito, como os homens são controladores e nojentos, você vai acreditar, mas, aquele cara do bar que eu te contei, ele é o socio do meu pai! eu estou ferrada, ele acabou de me ameaçar, não acredito, o que será que ele quer? E o pior é que ele é lindo!!- Mariana me olhou com aquela cara dela de confusa e disse:- tá mas eu não entendi, ele te ameaçou com oque? – ele teve a audácia de me perguntar, se meu pai sabia como eu andava procurando meu caminho por ai, e me olhou com aquele o olhos lindos que  dão arrepio. Ela deu risada e disse:- há mas então é fácil de resolver!! É só dormir com ele, pelo que você, me disse não vai ser tão difícil assim!! – começamos a rir, até que eu ouvi alguém se aproximando, quando me virei, reparei que era o Igor, uma calor me subiu pelo rosto, eu não o via desde aquela noite, eu esperava sentir amor, saudade, tristeza, qualquer desses sentimentos que se senti, quando se perdi alguém, com quem se dividiu dois anos de  vida. Mas ao contrario, um calor me subiu pelo rosto e na hora eu percebi que o sentimento era raiva, e só aumentava, conforme as palavras iam saindo da boca dele, eu nem acreditei, quando ele me cobrou por estar me referindo a outro homem. Meu Deus que cara de pau, quando dei por mim ele estava pegando no meu braço, foi quando, despertei do meu transi, puxei meu braço e liberei minha indignação,- você deve tá muito louco, como você tem coragem, de olhar pra mim depois de tudo que você me fez , mais ainda me cobrar alguma coisa, sou livre para fazer o que achar melhor da minha vida, por favor, esqueça que um dia fomos alguma coisa-, não feliz ele resolveu que tentar me beijar empurrei ele, nesse momento meu pai chegou e disse- chega, aqui não é o lugar e nem momento para esse tipo de conversa, Igor, por favor se afaste dela, e não faça te pedir novamente, não quero ver você perto dela de novo, a menos que ela peça, estamos acertados? –. Ele assentiu com a cabeça e saiu, agradeci ao meu pai, avisei que iria embora , não tinha mais clima para festa ele concordou, avisei que iria passar anoite na casa de Mariana, minha mãe ia querer conversar sobre o assunto, e eu queria adiar aquela conversa pelo maior tempo possível. Eu poderia falar para o meu pai tudo o que Igor havia me feito mas ia parecer que eu estava com dor de cotovelo, eu não ia dar esse gostinho aqueles dois, sou perfeitamente capaz de passar por cima disso.

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