capítulo 6

Havia algo nele que eu não conseguia explicar me dava raiva, com uma mistura de desejo, com certeza precisei de um banho, imaginei que um banho me acalmaria, mas claro que não foi suficiente. Resolvi ir até a casa de Mariana para me distrair, chegando lá ela estava em crise, por causa do carinha com ela estava ficando, levei ela para comprar algumas coisas, tomar um sorvete, e contei pra ela o que estava acontecendo, - eu to achando que teu pai falou sério, ele vai querer que você vá para lá, e amiga pensa bem, ninguém precisa ficar sabendo, é só vocês dois, talvez seja só desejo e quando vocês dois transarem isso passe- incrivelmente o que ela disse fez sentido, claro que eu não ia me jogar de cabeça nisso, mas essa viagem era realmente uma oportunidade profissional muito boa, porque o Felipe era sim um grande estrategista, e nesse ponto meu pai tinha razão, me afastar um pouco dali me faria muito bem, a situação com Igor era tão desconfortável. Passar um tempo com minha amiga foi muito relaxante, e sempre era, mesmo quando não a gente não concordava uma com a outra, mas eu acho que as melhores amizades são essas, em que você pode descordar e ter opiniões totalmente diferentes e mesmo assim, amar aquela pessoa come se vocês fossem irmãs.   Quando voltei pra casa infelizmente a realidade me esperava, meu pai estava sentado no sofá da sala com o telefone na mão, assim que entrei ele disse:- ai está você, por onde andou, estava te procurando, tenho uma coisa para te mostrar, - ele estava realmente muito animado, e depois que eu respondi que estava com Mariana, ele continuou e me mostrou uma passagem de avião, na hora eu gelei, e pensei, o que? ele estava falando sério? meu Deus e agora?! Disfarcei minha cara de espanto, e dei um sorriso forçado, e disse que legal pai! Ele insistiu em ficarmos conversando sobre o que eu iria fazer lá, não posso negar que as motivações profissionais eram ótimas,  mas será como eu iria aproveita-las, com toda aquela testosterona me distraindo? com aquela boca, aquelas mãos. Olhai  para meu pai e ele estava tão animado simplesmente não havia como decepcionar ele, eu agora estava decidida a fazer aquilo dar certo. Após o almoço ele me convidou para irmos ao escritório, contar a novidade para Felipe e mais uma vez não tive como recusar, enquanto me vestia, eu pensava em como ele iria reagir aquela noticia, ele certamente assim como eu, não estava esperando que fosse pra valer. De qualquer forma coloquei minha saia envelope vermelha, que eu adoro, e uma blusa leve branca, um salto vermelho também, maquiagem leve me olhei no espelho e estava satisfeita com o resultado, peguei minha bolsa e fomos, assim que chegamos no estacionamento, a primeira coisa que reparei foi no carro do Igor estacionado, mas o que ele fazia ali? aquilo me deu um fisgadinha no coração, eu acredito que se meu pai soubesse do ocorrido, proibiria ele de pisar naquela empresa, afinal até onde eu sei, ele não tem tanta influencia, a ponto de ter que ser aturado. Mas eu morria de vergonha só de pensar em contar para meu pai oque havia acontecido naquela noite, e é assim que esse tipo de homem age, eles contam com o fato de que, sobra em nós, a vergonha que falta neles, como pude ser tão cega, agora vejo claramente, ao mesmo tempo eu pensava que deveria alertar meu pai em relação da índole de Igor, mas não conseguia pensar em um jeito de fazer isso sem contar tudo oque havia acontecido, acho que ele percebeu que eu estava perdida em meu devaneio, passou a mão sobre meus ombros e me abraçou, meu pai sempre teve esse jeito discreto de se fazer presente, e principalmente de dizer que me ama, sem falar nada. Chegamos até a sala dele , me servi de café e fiquei ali apreciando a vista do 7° andar, a cidade estava linda, era verão, e nessa época do ano , o sol  brilha diferente e ilumina as coisas com mais intensidade , isso  sempre me revigora, e sempre me traz uma lembrança boa a mante, eu era criança devia ter uns 6 anos mais ou menos, vestia meu vestido preferido, rosa cheio de ursinhos brancos e marrons e com dois laços nos bolsos , meu pai vestia uma camiseta azul  e uma bermuda cinza e chinelos, e ele me acompanhava pela calçada, segurando minha bicicleta e foi quando finalmente consegui pedalar sozinha, nunca vou me esquecer da emoção e do meu pai comemorando. Quando parei a bicicleta eu olhei para as arvores e o sol passava por elas fazendo desenhos no chão, e senti ele aquecer minha pele,  uma brisa vindo logo atrás, por algum motivo aquela cena sempre me vinha a cabeça, quando eu olhava o sol nas arvores, era como se me levasse para aquela sensação de novo. Enquanto  eu estava ali degustando meu café e perdida nas minhas lembranças, meu pai me chamou e disse:_ ele já vem .-derrepente ele entrou pela porta e toda minha esperança  que aquilo poderia dar certo foi pelo ralo abaixo, aquele homem me tirava do juízo, ele estendeu a mão par me cumprimentar, quando ele segurou minha mão senti um arrepio  até minhas costas e pensei pra mim mesma- se controla!- ele desabotoou  o casaco e se sentou, conforme meu pai ia explicando qual era a ideia dele, eu via a expressão do rosto de Felipe mudando, e ficava me perguntando se meu pai também estava percebendo, quando meu pai terminou de falar, ele deu uma congelada mas logo se recuperou, ele disse tudo bem, nesse momento, alguém do interesse do meu pai, cruzando o corredor, ele pediu licença, pois precisava falar com urgência.  Quando ele saiu, em um salto Felipe já estava na minha frente com aquela boca linda me questionado porque  não havia impedido meu pai, eu respondi que tentei. Eu não ia dizer pra ele que não consegui dizer não pro meu pai, e que eu realmente precisava de um tempo, afinal de contas ele não tinha nada a ver com isso, e meu plano era ir pra lá, mas alugar um quarto por dois meses e ter apenas o necessário de contato com ele. Ao meio dia meu pai queria almoçar comigo, mas eu disse a ele que iria almoçar com Mariana e contar as novidades, então peguei minha bolsa e fui em direção da saída, como havia vindo meu pai pedi um carro por aplicativo enquanto fazia o percurso até o elevador para descer até a portaria, estava distraída,  e nem percebi Igor se aproximando como o animal peçonhento que ele é, ele chegou perto do meu ouvido e disse: - oi linda- e fiquei chocada com minha reação, a alguns dias atrás eu me grudaria no pescoço dele, e hoje o som da voz dele, me causa repulsa, com uma mistura de espanto e nojo, eu dei um passo para o lado ao que ele me acompanhou, estendi o braço, para sinalizar que queria distancia, e quanto mais perto ele ficava mais enojada eu ficava, deixei claro, que não, tinha nada para conversar com ele, e pedi licença, ele segurou no meu braço e disse:- calma meu amor só quero conversar um pouco, não quero que fique um clima pesado entre nós afinal de contas, vamos acabar nos esbarrando de um jeito ou de outro, e como tenho certeza de que seu pai fará questão que você trabalhe aqui, com certeza nos cruzaremos muitas vezes pelos corredores- enquanto ele falava ia se aproximando de mim e me encurralando em um canto, foi quando coloquei a mão no peito dele e abri um  espaço entre nós, empurrando ele, para longe, e já com o sangue me subindo na cabeça respondi:- pode ficar tranquilo, pretendo ter o mínimo de contato com você, e se me der licença tenho um compromisso, ele segurou meu braço e disse com os olhos arregalados:- como assim, terminamos a poucos dias e você  já está saindo com outra pessoa?- eu olhei para ele e me perguntei como eu não havia notado que ele era esse tipo de homem, soltei meu braço e disse entre dentes:- mas você  é muito cara de pau mesmo, eu me pergunto se você  me enganou ou, sempre foi assim, e eu é que era cega!-  com a outra mão ele segurou meu queixo, se aproximou do meu rosto e disse: - você  é minha, e vai ser para sempre, você me ama e sabe disso.- virei a cabeça, serrei meus dentes de raiva, respirei fundo para dar a resposta que ele merecia, quando uma voz firme e pesada falou atrás de nós:- está acontecendo algo aqui? Virei um pouco minha cabeça para poder constatar, que realmente era quem eu pensava,, e lá estava ele, Felipe, ele parecia meio irritado a mandíbula enrijecida, tive a impressão de que ele queria disser algo, então igor se adiantou:- não está tudo certo senhor, estavamos apenas conversando e eu perguntava a senhorita se precisava de ajuda, ele deu uns passos mais perto de Igor e disse: - eu compreendo, façamos o seguinte, eu já estava de saída e posso acompanhar a moça, assim não tira você do seu caminho. – olhei para Igor e vi a veia do pescoço dele saltar, ela sempre fazia isso quando ele estava com raiva, era como um sinal, mas ele serrou os dentes acenou e saiu, e ficamos só  eu e ele ali, esperando o elevador.

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