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𝐂𝐚𝐩𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨 𝐕𝐈: 𝐀 𝐝𝐞𝐜𝐢𝐬𝐚̃𝐨

𝐏𝐎𝐕: 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥𝐚

Levanto sem ânimo algum para ir trabalhar. Vou ao banheiro e me olho no espelho, vendo olheiras visíveis pela noite de insônia. Tomo um banho bem lento e relaxante. Saio em direção ao closet.

— Pera… cadê minhas roupas?

Não acredito que a Júlia fez isso. Ela me avisou que um dia jogaria minhas roupas fora, mas não achei que falava sério. Suspiro e ligo para ela.

— Juju, cadê minhas roupas?

Ouço um risinho e reviro os olhos.

— Gosto, amoré! Aquelas roupas suas não te valorizavam. Aproveitei que você não estava em casa. Não comprei muita coisa porque não deu tempo, mais tarde te mando o comprovante pra você me devolver o dinheiro. Tenho que ir, tô cheia de serviço pro próximo desfile. Beijos!

Ela desliga sem me deixar falar nada.

Vou ter que usar uma das novas. Procuro a mais comportada: um body branco de renda, terninho preto, saia social com uma fenda discreta e salto baixo. Estou pronta para mais um dia.

Desço, tomo um café reforçado. Não consegui dormir direito. Fiquei revirando na cama, pensando no que aconteceu ontem.

Saio de casa e vou para o trabalho perdida em pensamentos.

Chego e percebo que meu chefe ainda não está em sua sala. Aproveito para organizar sua agenda. Meia hora depois, meu telefone toca. O senhor simpatia.

Respiro fundo e sigo até sua sala.

POV: Benício

Se controla. Ela é sua secretária. Somente isso.

Mas fica difícil com ela usando essas roupas. O que aconteceu com a minha secretária desleixada, que não sabia se vestir? De repente, ela ficou perigosamente atraente.

— Sim, senhor Millard? — fala ela, olhando o bebê dormindo no bebê conforto. Logo desvia o olhar para qualquer lugar, menos para mim.

— Minha agenda — falo sério, como sempre.

Depois que ela diz meus compromissos da manhã, Manuela volta a encarar o bebê com carinho.

— Isso já é tudo, senhorita Santos. Se eu precisar, eu chamo.

Falo rude. Ela sai às pressas da minha sala.

Depois de um dia estressante, consegui dar conta do bebê e do trabalho. Até que foi mais fácil do que imaginei. O pequeno ficou bem calminho. E, por mais que Manuela fosse uma tentação, eu consegui manter distância.

POV: Manuela

Você é uma idiota. Achou que só porque ele te beijou vocês viveriam uma vida juntos? Uma iludida, apaixonada por um amor que nunca será correspondido.

Lavo meu rosto e saio do banheiro.

Vocês devem estar curiosos… então aqui vai.

Conheço Bernardo desde que eu tinha três anos. Eu ia muito à casa dele, pois nossas mães eram amigas, assim como a mãe do Marcos. Nós três crescemos juntos.

Descobri minha paixão por Bernardo aos oito anos. Fazia questão de demonstrar, mas ele não parecia dar muita bola.

Aos doze anos, tive que me mudar com meus pais para longe.

Quase dez anos depois, briguei com eles, pois queria ser independente. Eles achavam que eu não conseguiria viver um dia fora das asas deles. Então voltei para Chicago e procurei um emprego para mostrar que podia sobreviver sem a ajuda deles.

Consegui um emprego na H.U. Company.

E qual foi minha surpresa ao descobrir que seria secretária do meu antigo amor?

Achei que não sentiria mais nada… mas ainda era loucamente apaixonada por ele. E ele sequer se lembrava de mim.

Então tomei minha decisão.

A melhor coisa seria me afastar dele… e do meu pequeno.

Vou para minha sala e olho o relógio: 10:46 de uma sexta-feira.

Caminho calmamente até a sala do meu chefe. Bato na porta.

— Entre.

Entro e o vejo sentado no sofá com o bebê no colo, brincando.

— Deseja algo, senhorita Santos?

Respiro fundo e caminho até ele com um papel que mudará tudo a partir de agora: meu pedido de demissão. Entrego e me afasto um pouco. Ele lê e vejo sua expressão mudar.

— O que significa isso?

— Minha carta de demissão, senhor Millard.

Ele lê novamente, como se tivesse entendido errado.

— E você acha que irei aceitar que uma das minhas melhores funcionárias se demita?

Isso doeu. Ele só me queria porque eu fazia bem meu trabalho. Uma funcionária eficiente.

— Eu não vim pedir sua permissão. Só vim lhe entregar isso. Já estou indo, ou vou me atrasar para o meu voo. Até mais, senhor Millard.

Me abaixo até o bebê.

— Adeus, meu amado Anthony — sussurro.

Me levanto e saio da sala, com uma esperança silenciosa de que ele me impedisse. Mas isso não acontece.

Saio da empresa após me despedir de Marcos e sigo direto para o aeroporto. Parece que terei que engolir meu orgulho e voltar para casa depois de dois anos.

Suspiro e embarco.

Após mais de quinze horas de voo, chego a Tóquio. Ao desembarcar, vejo minha mãe e meu pai me esperando com uma placa com meu nome.

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