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𝐂𝐚𝐩𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨 𝐕: 𝐍𝐚𝐬𝐜𝐞 𝐮𝐦 𝐬𝐞𝐧𝐭𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨

𝐏𝐎𝐕: 𝐁𝐞𝐧𝐢́𝐜𝐢𝐨

Não consigo tirar os olhos dela.

Manuela está linda. Sexy, até, com aquela roupa simples e o jeito carinhoso com que cuida do meu pequeno. Cada gesto seu me enche de algo que não sei explicar. O sorriso dela me encanta, me fascina… mas desde quando?

— Senhor? — a voz dela me tira do transe. — O senhor vai querer que eu fique com ele o dia todo?

Ela olha para o bebê com tanta doçura que, por um segundo, eu queria ser ele. Queria toda aquela atenção só para mim.

— Não precisa. Eu cuidarei dele. Se precisar da sua ajuda, eu chamo — respondo, indo até ela.

Pego o bebê do seu colo, junto com a cadeirinha, e sigo para a minha sala.

Sento na cadeira, coloco o pequeno no colo e começo a revisar alguns papéis, assinar outros. Quando percebo, já são quase duas da tarde. Passei do horário do almoço.

O bebê dorme tranquilamente em meus braços. Observo seus cabelos pretos, o narizinho de botão, os resmungos leves que me fazem sorrir feito bobo.

Até que meu sorriso some.

Ele começa a chorar. Primeiro baixo, depois alto, desesperado.

— Santos, na minha sala! — falo ao telefone e desligo.

Um minuto depois, Manuela praticamente invade o escritório. Vem até mim com o olhar de uma leoa protegendo o filhote. Tira o bebê dos meus braços, o nina, canta baixinho. Em poucos segundos, ele se acalma.

Suspiro aliviado.

— Que susto, meu amor… você não pode fazer isso comigo nem com o seu pai — ela brinca, olhando para ele.

O pequeno responde com um sorriso banguela que a faz se derreter.

— Tudo bem, meu manhoso. Você anda muito estressado hoje.

Observo a interação dos dois e sorrio… mas logo disfarço.

— Vou levá-lo ao médico, senhorita Santos. Não se preocupe — digo.

Ela se senta no sofá, coloca o bebê de barriga para cima. Ele segura um dos dedos dela e começa a morder como se fosse um bife suculento.

— Não creio que seja necessário, senhor. Já descobri o que ele tem — ela diz, sorrindo para mim.

— O que é?

Ela me estende a mão. Seguro, confuso. Manuela me puxa e eu acabo ajoelhado à sua frente. Ela puxa o lábio inferior do bebê, mostrando a gengiva com um pontinho branco.

— Um dente? — arregalo os olhos. — Ele não é muito novo?

— É o primeiro dentinho dele — fala orgulhosa.

— Não é uma boa fase. Vai precisar de mais atenção. Quando Vivi passou por isso, Marcos ajudou bastante — continuo.

Ela brinca com a mãozinha dele, que resmunga por ter perdido o dedo da boca.

— Parece que vai precisar comprar um mordedor.

— Um o quê? — pergunto, confuso.

Antes que ela responda, a porta da sala se abre com força.

— Benício! O que significa isso? Você está me traindo?!

Reviro os olhos. Não tenho um pingo de paciência para Karen agora.

— Para eu te trair, Karen, a gente teria que ter alguma coisa — respondo, entediado. — E nem no seu melhor sonho eu teria algo com você.

— Como assim? Eu sou sua noiva! — ela exclama.

Cruzo os braços.

— Desde que você começou a brincar de pai com esse bastardo e essa vadia, você me destrata! — diz, fingindo tristeza.

Meu sangue ferve.

— Some daqui, Karen, antes que eu chame a segurança.

Ela se assusta.

— Isso não vai ficar assim. Essa vadia e esse bastardo vão pagar por te tirar de mim!

Ela b**e a porta.

Viro para Manuela. Ela está vermelha, os olhos transbordando raiva.

— Você está bem? — pergunto, preocupado.

— Aquela vagabunda chamou meu bebê de bastardo! — ela explode. — Se eu ver aquela mulher na minha frente outra vez…

Meu bebê?

Desde quando?

— Manuela… você pode me ajudar a comprar esse tal de mordedor? — pergunto, mudando de assunto. — Eu não faço ideia do que seja isso.

Na verdade, faço. Mas ela precisa distrair a cabeça.

— Mas o senhor tem uma reunião às quatro — lembra.

Dou de ombros.

— Cancela.

Pego minhas coisas e as do bebê.

— Cancela? — ela repete, surpresa.

— Cancela — reafirmo.

Seguimos para o elevador. Ela fala ao telefone, remarcando a reunião. Na garagem, entramos no carro do meu irmão. Manuela vai atrás com o bebê, paparicando-o o tempo todo.

— Desculpa, senhor… posso fazer uma pergunta? — diz, olhando pela janela.

— Faça. Não garanto que vou responder.

— Por que não deu um nome para o bebê?

Silêncio.

Por quê? Porque eu não pretendia ficar com ele. Só que agora isso soa como a maior idiotice do mundo.

Não respondo.

Passamos na farmácia, compramos alguns mordedores e seguimos para casa. Manuela vem conosco.

POV: Manuela

Saio da cozinha com o mordedor esterilizado e coloco na mãozinha do bebê, que está entretido assistindo Peppa Pig. Assim que pega o objeto, ele o ataca com vontade, mordendo.

— Como ele gosta de assistir uma porca — Benício reclama, indignado.

Rio.

— Do que você está rindo, senhorita Santos?

Ele está perto demais.

Tão perto que sinto sua respiração. Dou um passo para trás. Ele avança um. Dou outro e minhas costas batem na porta.

Benício se aproxima devagar, como um predador. Sinto o cheiro de uísque em seu hálito e me arrepio. Olho para seus olhos ônix, que me cativam desde sempre. Desço o olhar para seus lábios.

Uma vontade absurda de tocá-los me invade.

Levo a mão até sua gravata e o puxo para mim.

Nossas bocas se chocam.

O beijo começa desajeitado, mas logo se torna intenso. O desejo nos domina.

POV: Benício

Acordo com o chorinho do pequeno ao meu lado.

Levanto, vou até a cozinha preparar a mamadeira.

Vocês devem estar se perguntando o que aconteceu ontem, né?

O bebê chorou, cortando completamente o clima. Manuela inventou uma desculpa e foi embora. Passei o resto do dia assistindo Peppa Pig. Aquela porca dos infernos.

Depois de tudo arrumado, saio direto para a empresa. Chego um pouco atrasado — a noite foi difícil, o bebê não parava de chorar.

Entro na minha sala e logo chamo Manuela para passar a agenda.

Mas eu definitivamente não estava preparado para o que estava por vir.

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