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𝐂𝐚𝐩𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨 𝐈𝐈: 𝐃𝐞 𝐬𝐞𝐜𝐫𝐞𝐭𝐚́𝐫𝐢𝐚 𝐚 𝐛𝐚𝐛𝐚́

𝐏𝐎𝐕: 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥𝐚

Merda! Eu sabia que não deveria ter ido àquela festa. Dormi tarde e, consequentemente, acordei atrasada. Termino de me arrumar às pressas, corro para o estacionamento, pego meu querido carrinho e sigo para a empresa.

Praticamente corro até minha sala, mas, antes de entrar, passo pela sala do meu chefe. Parece que eu não fui a única a acordar tarde. Vou para minha mesa, ligo o computador e começo meu trabalho: reviso papéis e agendo reuniões. Quando o relógio marca dez e vinte, meu telefone toca.

— Santos, na minha sala. Agora! — Benício fala sério e desliga sem me deixar responder.

Sera que ele vai me demitir pelo atraso? Claro que não. Trabalho aqui há mais de três anos e faço meu serviço super bem. Levanto-me e me dirijo à sala dele. Bato na porta, escuto um "entre" e me posiciono à frente de sua mesa com a agenda em mãos.

— Senhor, hoje você tem uma reunião na hora do almoço e outra às três...

Quando eu ia terminar de falar, ouço um resmungo e, logo depois, um choro. Olho para ele sem entender. Ele se abaixa e, quando se levanta, está com um bebê nos braços.

— Tudo bem, senhorita Santos, pode sair agora — diz ele.

Vejo a dificuldade com que ele segura a criança; ele claramente não sabe o que está fazendo, e o bebê chora ainda mais. Vou até ele, rodeio a mesa e toco em seu braço, afrouxando-o um pouco. Pego o pequeno, suspendendo-o, e o coloco em pé, já que Benício o segurava deitado de qualquer jeito.

— Segure ele assim. Bebês com idade entre quatro e seis meses gostam de ficar em pezinho — falo, ajeitando os braços dele ao redor do bebê, que para de chorar instantaneamente. — Mas sempre apoiando a mão na cabeça, porque ele ainda é "molinho" e pode empinar para trás.

Sorrio e me afasto envergonhada ao me dar conta do que fiz.

— Desculpa, senhor.

— Você sabe cuidar de bebês?! — Ele me olha surpreso.

— Sim, já trabalhei de babá e às vezes fico com meus sobrinhos — que são verdadeiros pestinhas. João e Vinícius têm um ano e já aprontam todas.

— Hm. Poderia cuidar dele nas reuniões de hoje? Não posso cancelar, são contratos muito importantes.

Sorrio e concordo, meio incerta.

— Claro, senhor. E qual o nome dele? O que ele é seu? — pergunto de uma vez e logo percebo que estou interrogando meu chefe. — Desculpe, senhor.

— Ele não tem nome. E isso é uma longa história, senhorita Santos. — O bebê começa a se mexer, querendo chorar de novo. — Por que ele não para de chorar o tempo todo?

— Ele me parece tão calminho. Dê ele aqui — peço, pegando-o no colo. — Olha que coisa mais fofa... É sim, você é um bebê calminho, não é mesmo?

Ouço um riso. Olho para o meu chefe e o vejo com um sorriso de lado. Meu Deus, que pecado de homem! Em todos os anos que trabalho aqui, nunca o tinha visto sorrir; era um fenômeno raríssimo. Foco, Santos! Ele é seu chefe e, além do mais, nunca olharia para mim. Eu sou "estranha" e, como a Julia diz, não sei me vestir. Mas aqui é meu trabalho, é claro que vou usar saias longas e terninhos.

— Ele parece que gosta de você — diz ele, me tirando do transe. Olho para o bebê, que também tem um sorriso de derreter o coração.

— Senhor, ele é seu filho? — pergunto sem olhar para ele.

— Não é da sua conta, não acha?

Tava demorando. Aí está meu chefe arrogante e grosso.

— O senhor tem razão — respondo seca. Coloco o bebê, que já estava quase dormindo, na cadeirinha. — Com licença, senhor.

Saio da sala às pressas. Tento arrumar as coisas para a hora do almoço, fervendo de raiva. Como pode ser tão arrogante, grosso, mandão... e lindo, e gostoso? Eu só fiz uma pergunta e ele já veio com coices. Aquele cavalo!

— Senhorita Santos?

Com o susto, acabo caindo de bunda no chão. Ouço uma risada escandalosa e uma infantil.

— Tudo bem, algodão-doce? — pergunta Marcos, que está ao lado do meu maravilhoso chefinho e do bebê sem nome.

— Tô bem, loiro tapado — falo me levantando e limpando a saia. — Ai...

Vou até minha mesa, pego minha agenda e o iPad.

— Estou pronta.

Eles saem da sala e vou andando logo atrás. Marcos leva a cadeirinha e meu chefe leva o bebê, que fica me olhando. Faço uma careta, escondo o rosto com as mãos e apareço de repente. O pequeno solta um grito de alegria e uma gargalhada. Eu rio junto.

— O que está fazendo, senhorita Santos? — pergunta Benício. Por um momento, eu tinha esquecido que ele estava ali.

— Só estou distraindo ele. Tem bebê que não gosta de elevador — comento, entrando na caixa de metal e abaixando a cabeça, envergonhada por ter sido pega no flagra.

— Eu que o diga. João sempre berrava ao entrar nessas caixas de metal — Marcos comenta, rindo. Eu sorrio, lembrando de Viviane tentando acalmá-lo. — Mas a Manu sempre dava um jeito. Hoje ele não tem mais medo.

Aposto que estou parecendo um pimentão. Sorrio para ele e volto minha atenção para a frente. Quando as portas se abrem na garagem, vamos para o carro do meu chefe — um que eu nunca tinha visto.

— Bernardo sabe que você está usando o carro dele? — Marcos pergunta, provocando.

— Ele está viajando, não vai saber — Benício responde, me entregando o bebê para que eu o instale na cadeirinha. Depois que termino, ele mesmo confere os cintos. — Entrem logo, não quero chegar atrasado.

Eu e Marcos entramos. Fui ao lado do bebê, brincando com ele. O caminho foi rápido até chegarmos a um dos melhores restaurantes de Chicago. Ao entrar, é a primeira vez que me sinto mal vestida. Ouço uma reclamação infantil e vejo o bebê com os bracinhos estendidos para mim. Meu chefe olha para mim e para o pequeno, revira os olhos e me entrega a criança. Sorrio, aninhando-o em meus braços enquanto caminhamos até a mesa onde estão uma mulher muito linda e um homem muito sério.

— Senhora Carla. — Marcos e Benício a cumprimentam.

— Senhor Millard, senhor Valdez — ela responde, e então olha para mim com desdém.

— Esta aqui é minha assistente, senhora Carla — meu "doce" chefinho me apresenta.

— Oh, não sabia que os funcionários podiam levar os filhos para o trabalho — ela diz, olhando para o pequeno com nojo.

— E eu não sabia que vadias podiam comandar empresas importantes — sussurro, mas acho que ela ouviu.

— O que você disse? — ela pergunta, fechando a cara.

— É meu filho, senhora Carla — Benício responde, sério.

Fico surpresa. Então essa coisa fofa é mesmo filho dele?

Sentamos e coloco o bebê na cadeira alta, deixando-o brincar com sua naninha. Peço uma sopa de legumes sem sal para ele. Enquanto os outros conversam sobre negócios, vou fazendo anotações e vigiando o pequeno. Quando os pratos chegam, cutuco o "Naruto" (Marcos).

— Já que você só vai ficar observando, anota para mim enquanto dou comida para o bebê.

Ele faz uma careta, mas pega o iPad. Eu me viro para o pequeno.

— Você não acha que ele é muito pequeno para comer comida? — pergunta meu chefe, ainda sério.

— Não, já passou da hora de ele começar — falo, observando o pequeno que, pela estatura, deve ter uns 5 meses. Levo uma colher até a boca dele, que come com gosto. — Hum, tá gostoso, não tá?

Ele dá um gritinho e eu continuo o "aviãozinho". Fico tão focada que nem percebo quando a reunião termina e restamos apenas eu, Marcos e meu chefe.

— Eles acabaram de sair. Toma — fala Marcos, me devolvendo o iPad.

— Obrigada, Marcos.

— Ai, que fome! — exclama o loiro. — Essa negociação me deixou morto. Só esse garotão aqui que aproveitou e encheu a barriga. — Ele faz cosquinhas no bebê.

De volta à empresa, o bebê não desgrudou de mim. Vou para minha sala e passo a tarde revisando documentos e atendendo telefonemas até o horário da próxima reunião.

— Fique com ele até a reunião terminar. Você não precisa participar desta — Benício diz, entregando-me o pequeno e saindo da sala.

Suspiro e olho para o bebê. Após uma maratona de cócegas e risadas, dou um pouco de água a ele enquanto coloco vídeos de músicas infantis no meu notebook. O tempo passa e meu horário de saída chega, mas a reunião não acaba. O bebê finalmente dormiu.

Ele precisa colocar um nome nesse menino, penso, suspirando cansada. Ele é tão gordinho que dá vontade de morder.

— Você é tão bonito igual ao seu pai... Mas tomara que, quando crescer, não seja um grosso mal-educado — sussurro, tocando a ponta do nariz dele.

Ouço alguém pigarrear e olho para a porta. É o meu chefe.

— Está dispensada, Santos — ele fala, pegando o bebê e saindo sem dizer mais nada.

Fico paralisada. Meu Deus, que vergonha! Será que ele ouviu? Arrumo minha bolsa e desço para o estacionamento. O carro dele já não está mais lá.

Chego em casa vinte minutos depois. Moro no centro, perto da empresa. Meu apartamento não é grande, mas é confortável e fica em um condomínio cinco estrelas. Meus pais têm dinheiro, mas eu tento fazer meu caminho. Tomo um banho, coloco apenas uma lingerie e me jogo na cama, exausta.

Estou quase pegando no sono quando o toque do celular começa: “Oh baby, baby...”

— Ah, não, Britney, agora não... — resmungo.

Levanto cambaleando, tateio o aparelho no corredor e atendo sem ver quem é.

— Acho bom ser importante! — falo com a voz grogue de sono.

— Santos, eu preciso da sua ajuda.

Reconheço a voz na hora. É o meu chefe.

— O que aconteceu? — pergunto, despertando ao ouvir um choro desesperado ao fundo.

— Eu não consigo fazer ele parar de chorar. Ele está um pouco quente e eu não sei o que fazer! — Ele soa desesperado.

— Tudo bem, já estou indo.

Desligo, corro para o closet e me visto em tempo recorde. Saio do apartamento voando, pego meu capacete com orelhas de gato e monto na minha "bebê" de duas rodas. O trânsito da madrugada ajuda e chego à mansão em dez minutos. Estaciono e aperto a campainha, com o coração a mil por hora.

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