Derrepente Pai
Derrepente Pai
Por: Dally Wolf
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𝐂𝐚𝐩𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨𝐈 :𝐔𝐦 𝐛𝐞𝐛𝐞̂ 𝐞𝐦 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚

𝐏𝐎𝐕: 𝐁𝐞𝐧𝐢́𝐜𝐢𝐨

Em pleno sábado, estou no escritório da minha casa resolvendo problemas da empresa. Meus olhos ardem por causa da luz do computador, e minha cabeça dói pelas horas sem dormir. Olho no relógio: quase duas da manhã. Suspiro, cansado. Ainda faltam alguns papéis para assinar.

Assim que termino, saio do escritório e vou para a cozinha. Deve haver alguma coisa para comer, mas sou interrompido pelo som da campainha.

Quem aparece a essa hora?

Vou até a porta e a abro.

— Mas o quê? Não tem ning…

Sou interrompido por um barulho estranho. Olho para baixo e vejo uma cesta. Me agacho e retiro o pequeno manto.

— Caralh*… é um bebê!

Me levanto rapidamente e olho para os lados, procurando por sua mãe, mas a rua está completamente deserta. Volto o olhar para o pequeno ser dentro do cesto e o pego com cuidado, levando-o para dentro da casa.

Ele é tão pequeno… como alguém seria capaz de abandoná-lo? Está em um sono profundo. Coloco-o no sofá e ajeito o cobertor por cima; ele segura firmemente um ursinho.

Sento-me ao seu lado, tentando pensar no que fazer.

Não posso ficar com uma criança. Se ao menos houvesse alguma informação…

Pera aí!

Deve ter algo no cesto. Eu nem reparei, estava preocupado demais com o bebê.

Levanto-me, vou até a porta e observo melhor a cesta. Ao lado dela, há uma bolsa azul.

Como não a vi antes?

Pego a bolsa, volto para a sala e me sento novamente. Começo a mexer em seu conteúdo até encontrar uma carta.

“Caro senhor Millard,

Eu não posso ficar com essa criança. Não tenho condições e não o quero. Você deve estar se perguntando por que escolhi você.

Porque você é o pai dele. Ele é o resultado de uma noite de bebedeira. Sei que você não deve se lembrar de mim, mas peço que cuide do seu filho. Já fiz o que pude ao colocá-lo no mundo.

Ele é calmo e não vai te dar trabalho.

P.S.: não se preocupe, não voltarei.”

Leio tudo em choque.

Eu tenho um filho?!

Mas… e se não for meu?

Olho novamente para o bebê. Ele agora está acordado, com olhos tão negros quanto os meus. Suspiro, exausto, e me levanto.

— Bom, garoto… vou te colocar na cama. Amanhã cedo vamos à delegacia.

Ele faz uma carinha de choro e começa a berrar.

Droga… eu não sei o que fazer. Nunca cuidei de uma criança.

— Que barulho é esse, menino? — pergunta Sônia, a governanta da casa.

— Sônia, graças a Deus! Me ajuda, eu não sei o que fazer.

Ela pega o bebê no colo e segue pelo corredor. Alguns minutos depois, retorna com ele já mais calmo.

— Segura aqui — diz, entregando-o a mim.

Eu o pego todo desajeitado. Sônia vai até a bolsa, pega uma mamadeira e segue para a cozinha. Pouco depois, vou atrás dela, que termina de preparar o leite e me entrega a mamadeira.

— Eu não sei fazer isso, Sônia.

Ela faz uma careta, aponta para a cadeira e eu me sento. Ela ajeita o bebê em meu colo e coloca a mamadeira em minha mão. Encosto o bico em sua boca, e ele começa a sugar.

— Agora pode começar a falar tudo — pede.

Suspiro e conto tudo. Ela lê a carta.

E, para minha surpresa, chora.

Algum tempo depois, sigo para o meu quarto. Coloco o bebê na minha cama e vou tomar um banho demorado. Ao sair, visto apenas uma cueca e uma calça de moletom. Deito-me ao lado dele e fico observando até pegar no sono.

Acordo olhando para o teto, até ouvir barulhinhos infantis. Viro o rosto e o bebê está sentado na cama, me observando.

Então não foi um sonho.

Levanto-me, olho o relógio no criado-mudo: nove e meia. Pego o bebê no colo e vou para a sala. Ainda no corredor, ouço vozes.

Quando chego, encontro minha mãe, meu pai, meu irmão e a família dele.

— O que fazem aqui? — pergunto, indo até a bolsa do bebê.

— SÔNIA! — chamo.

— Viemos viajar e quisemos te ver, meu bebê — diz minha mãe, carinhosa.

Ouço meu irmão comentar que ela os obrigou a vir.

— Sim, menino? — Sônia aparece com uma bandeja de café.

— Pode dar um banho nele e trocá-lo? Preciso me arrumar.

Ela coloca a bandeja na mesa de centro e leva o bebê para o quarto de hóspedes com a bolsa.

— De quem é aquele bebê, querido? — pergunta minha mãe.

— Pelo que a mãe dele disse… é meu.

Todos se surpreendem. Conto a história inteira, e minha mãe e minha cunhada ficam furiosas.

— E o que fará com ele, filho? — pergunta meu pai, que estava quieto até então.

— Vou à delegacia tentar resolver isso.

Minha mãe começa um sermão, dizendo que devo cuidar dele, já que é meu filho. Ignoro, vou me arrumar e, quando volto, encontro minha mãe, minha cunhada e Sônia paparicando o bebê.

— Tudo bem, me dê ele aqui.

Entre protestos e mais sermões, saio de casa usando o carro de Bernardo, que tem cadeirinha, já que ele também tem um bebê. Dirijo até a delegacia.

Lá, relato tudo a um policial.

— Desculpe, senhor, mas esse caso precisa ser encaminhado à UNICEF — diz ele, indiferente.

— E onde é isso? — pergunto, já irritado.

— Estão inoperantes no momento. Só retornam na semana que vem. A sede está em reforma.

Levanto-me sem dizer nada e saio antes que eu perca o controle.

De volta em casa, não há ninguém. Nem mesmo Sônia — hoje é sua folga.

O que eu vou fazer sem ela?

Meus pensamentos são interrompidos pelo choro do bebê. Entro em desespero, andando de um lado para o outro. Vejo uma mamadeira pronta na cozinha — Sônia deve tê-la deixado. Ofereço ao bebê, mas ele recusa e continua chorando.

Será a fralda?

Levanto-o e aproximo seu bumbum do meu nariz.

Não.

— Mas que barulheira é essa? — pergunta Marcos, meu melhor amigo, entrando na cozinha.

— Marcos, me ajuda. Ele não para de chorar — praticamente suplico.

Ele observa a cena, sai da cozinha, vai para a sala e aponta para o sofá. Sento-me. Ele liga a TV e coloca um desenho.

O bebê para de chorar.

— Meu amigo, eu te apresento a salvação: a maravilhosa, perfeita e única Peppa Pig.

— É um porco — deduzo, entediado.

— Mas parou de chorar, não parou?

Conversamos por um tempo até Viviane ligar para ele, e Marcos ir embora.

A tarde se arrasta. Preciso procurar no YouTube como fazer mamadeira e trocar fralda. Mais tarde, tomo banho com o bebê no chuveiro — achei mais seguro do que a banheira. Depois, o troco e o coloco para dormir.

Meu celular toca. É Sônia.

— Alô?

— Olá, menino. Como está?

— Estou bem.

— E o bebê?

— Ainda está aqui. Vou ter que ficar com ele por mais um tempo.

Ela se desculpa por não poder ajudar e avisa que ficará fora até a semana seguinte.

Quando desliga, suspiro, exausto. Vou até a cama, onde o bebê dorme tranquilamente, e me deito ao seu lado.

Amanhã eu penso nisso.

Agora… eu só preciso dormir.

Acordo com um pequeno ser em cima de mim. Ele brinca com o ursinho. Olho o relógio: oito e quarenta.

— Merda, estou atrasado.

Levanto, troco nós dois e sigo para a garagem. Uso novamente o carro de Bernardo. Coloco o bebê na cadeirinha e dirijo direto para a empresa.

Ao chegar, chamo atenção de todos. Subo pelo elevador privativo e entro na minha sala. Coloco o bebê conforto ao lado da mesa e pego o telefone.

— Santos, na minha sala. Agora.

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