𝐂𝐚𝐩𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨 𝐈𝐈𝐈:𝐌𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐬𝐞𝐜𝐫𝐞𝐭𝐚́𝐫𝐢𝐚 𝐬𝐞𝐱𝐲?
𝐏𝐎𝐕: 𝐁𝐞𝐧𝐢́𝐜𝐢𝐨
Aquela reunião me matou. Estou tão cansado que, ao chegar em casa, tudo o que eu queria era um banho e minha cama. Olho para o bebê, que acordou no caminho. Vou até a cozinha, preparo algo para eu comer e uma mamadeira para ele. Ele fica me observando; coloco um pouco de comida em sua boca, mas ele gospe tudo.
— Mas ela disse que você já comia… — falo, indignado. Por que ele comeu com aquela garota irritante e comigo não?
Suspiro, termino de comer e vou para o banheiro. Tomo banho junto com ele, o troco e o deixo deitado na cama enquanto me visto. Deito-me ao seu lado, olhando para o teto e pensando no que vou fazer com esse bebê, até que finalmente caio no sono.
Acordo com resmungos e gemidos. Abro os olhos e vejo o bebê se remexendo. Eu o toco e sinto que sua pele está muito quente. Merda, acho que isso não é normal. O que eu faço? Pego meu celular e cogito ligar para minha mãe. Merda, ela está viajando.
Penso rápido enquanto o choro dele aumenta. Logo, cabelos rosas vêm à minha mente. Dedilho o aparelho à procura do número dela e, assim que o encontro, ligo.
— Acho bom ser importante… — Manuela atende com a voz rouca. Deduzo que estava dormindo.
— Santos, eu preciso da sua ajuda — digo, tentando balançar o bebê para acalmá-lo.
— O que aconteceu? — Sua voz parece despertar instantaneamente.
— Eu não consigo fazer ele parar de chorar. Ele está muito quente e eu não sei o que fazer — admito, entrando em pânico.
— Tudo bem, já estou indo.
Ela desliga. Verifico a temperatura dele de novo; ainda está quente. A fralda está limpa. Eu o levo para a cozinha e tento dar a mamadeira, mas ele recusa. Voltamos para a sala, ligo a TV nos desenhos e ele para por um momento, mas logo volta a gritar. Eu o aninho em meu colo e ele, aos poucos, vai se acalmando. Quando está quase dormindo, a campainha toca.
Levanto-me com cuidado e abro a porta. É a minha secretária. Mas como assim? Ela está com roupas coladas ao corpo e… que corpo! Mas que pensamento é esse agora, Benício?
— Ah, então parece que você conseguiu acalmá-lo — diz ela, me trazendo de volta à realidade.
Dou espaço para que ela entre. Ela coloca o capacete e as chaves em cima da mesinha do corredor.
— Não sabia que andava de moto — comento.
Ela me olha de soslaio e ouço um sussurro:
— Há muita coisa sobre mim que você não sabe.
Fico curioso, mas deixo para lá quando ouço um resmungo em meus braços.
— Deixe-me ver como ele está — pede ela, aproximando-se. Eu me afasto instintivamente. — Vamos para a sala.
Sentamos no sofá. Ela coloca a mão no rostinho do bebê e faz uma careta de preocupação.
— Ele está bem quente. É melhor dar um banho morno e depois um remédio. Se a febre não ceder, nós o levamos ao hospital.
Eu a observo, reparando na palavra: "nós".
Ela o pega do meu colo com cuidado e pergunta onde é o meu quarto. Mesmo receoso, eu a guio até lá e aponto para o banheiro.
— Poderia arrumar uma troca de roupa quente para ele? — ela pede, entrando no banheiro.
Vou até a bolsa, pego um conjunto de moletom e uma fralda. Logo ela sai com o bebê todo embrulhado e o troca rapidamente. Ela me entrega o pequeno e vai para a cozinha. Eu a sigo e a vejo fuçando os armários até achar minha maleta de primeiros socorros.
— Achei. — Ela separa o remédio. — Pronto, agora ele pode dormir. A febre deve ceder e não voltará tão cedo.
— Obrigado, Manuela.
— Por que me ligou? — ela pergunta, com dúvida no olhar.
— Minha mãe está viajando e minha governanta foi visitar uma parente. Você era a única pessoa que eu conhecia que sabia cuidar de uma criança.
Ela me olha de forma divertida.
— E não cogitou levá-lo ao hospital?
— O desespero não me deixou raciocinar direito — respondo, sério.
— Já está tudo bem. Eu vou indo então, se a febre voltar, me liga.
Ela pega a jaqueta, mas eu seguro seu braço.
— Acho melhor você dormir aqui hoje. — Digo sério, mas por dentro me pergunto o que estou fazendo. — Já está tarde e você parece cansada. Não é seguro dirigir assim.
— Não se preocupe, senhor Millard, eu vou ficar bem — ela tenta se desvencilhar.
— Isso não é um pedido, senhorita Santos. Não posso deixar que saia por aí dirigindo grogue de sono. Pode acabar sofrendo um acidente.
𝐏𝐎𝐕: 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥𝐚
Eu não acredito. Neste exato momento, estou em um dos quartos de hóspedes do meu chefe por pura insistência dele. Acho que estou ficando louca. Me sento na cama e olho ao redor. Sem muito o que fazer, deito e fico pensando em como o dia foi doido — e olha que estamos só no começo da semana. Acabo caindo no sono.
Acordo e vejo que já é manhã. Pera, manhã? Que horas são? Pego meu celular: descarregado. Ótimo. Levanto-me, vou ao banheiro, ajeito o cabelo e encontro uma escova de dentes nova no armário. Saio do quarto e sigo para a cozinha.
A cena que vejo me deixa boquiaberta. Benício está cozinhando sem camisa, enquanto o bebê está sentado na cadeira, "preso" por uma das camisas dele para não cair.
— Senhorita Santos? — A voz grave dele me tira do transe.
— Ah… sim? — Sinto meu rosto esquentar. Ele me pegou no flagra o secando.
— Está tudo bem? Você está vermelha — pergunta ele, com um sorriso convencido no rosto.
— Estou bem — tento desconversar. — E esse meninão parece estar muito melhor.
— Está sim, ele dormiu a noite toda — fala, colocando um prato de bacon na mesa. Só agora percebo que há um banquete servido. — Venha, sente-se para comer.
Eu me sento e coloco o bebê no meu colo, dando a ele alguns pedacinhos de fruta. De repente, um estalo vem à minha mente.
— Senhor, que horas são?
— Quase nove e meia — responde ele, calmo. — Não se preocupe, pedi para a senhorita Vieira cancelar todos os meus compromissos de hoje. Você também está de folga.
O olho indignada. Ele é o chefe e pode tudo, mas nem me avisar? Bem, no fundo nem estou tão chateada, eu estava doida por um dia de folga para maratonar séries. Meus pensamentos são interrompidos pela entrada de um certo loiro e sua réplica em miniatura.
— Manuela? — Marcos olha de mim para o Benício e fecha a cara.
— Tia Manu! — O pequeno João corre até mim e me dá um grande abraço.
— Oi, meu amor! Como você está? Parece que o resfriado já passou — faço cafuné em seu cabelo loiro.
— Sim, tia Manu. — João tem três aninhos e é uma figura. Ele olha para o colo do Benício. — Tia, quem é esse?
— Esse é… o filho do Benício.
— Não sabia que o tio Bê tinha um filho — comenta o pequeno. Nem eu sabia, querido.
Marcos se aproxima, com uma expressão estranha.
— Manu, achei que estaria na empresa.
— O senhor Millard precisou da minha ajuda com o bebê — falo, meio embaraçada.
— Eu dei o dia de folga para ela — intervém Benício.
— Ah, entendi. Bom, então eu já vou indo — digo, levantando-me.
— Veio de moto? — Marcos pergunta. Assinto. Sempre gostei da adrenalina que a moto proporciona.
— Tchau, meu amor — despeço-me do bebê com beijos e o entrego ao pai. — Tchau, loirinho. — Beijo a testa de João e dou um tapinha amigável no ombro de Marcos.