GABRIEL MONTENEGRO
A caneta de metal pesado reluzia sob as luzes frias da sala de reuniões. Ela parecia um ultimato cirúrgico, uma lâmina pronta para cortar o último fio que me ligava ao meu passado — e ao meu sangue.
Olhei para a caneta que Melissa estendia na minha direção com uma calmaria assustadora. Depois, olhei para o rosto dela. Não havia um único traço daquela mulher doce que um dia me esperou com o jantar pronto na minha cobertura. Ali estava a Dama de Obsidiana, uma criatura forjada