A sirene da ambulância cortava a noite como uma faca.
Eu estava sentada no banco de trás, o braço enrolado em um pano improvisado que a governanta tinha arrancado de uma toalha. O sangue já tinha parado de escorrer, mas a dor latejava a cada batida do coração. Ao meu lado, Gabriel. O ombro dele também estava ferido — a faca tinha rasgado a carne, mas não atingido nada vital. Ele não reclamava. Não gemia. Só olhava para mim com uma intensidade que me fazia esquecer de respirar.
— Não olha assim