― Jéssica Belmonte!Eu me levanto rápido. Mas não tão rápido. Quero passar a impressão de que desejo o emprego, mas não estou desesperada. A atendente continua digitando alguma coisa no computador quando me aproximo do balcão.― Oi! Sou eu.― Identidade.Abro minha bolsa fúcsia Armani e a carteira da mesma marca e puxo o documento, e o coloco ao lado do teclado com uma delicadeza quase cirúrgica.Por um segundo ela ergue os olhos entediados, e devolvo um sorriso aberto, dentes imaculadamente brancos, fruto de um clareamento de meses na dentista do bairro em que eu morava.A atendente de cabelos precocemente grisalhos, esticados para trás em um coque baixo e austero, pega a identidade e confere com os dados que eu mesma cadastrei, dias atrás.A mulher se levanta, devolve a identidade e sai andando apressada em direção a um dos muitos corredores do hospital.Sem saber direito o que fazer, se sigo, se espero, se respiro, fico sentada, cuidando para não amarrotar o terninho branco que tro
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