Enxugando as lágrimas, Letícia disse, tentando soar firme:
— Ei… você não deveria beber e dirigir.
Ela respirou fundo, ainda com a voz embargada.
— Apesar de você ter me salvado lá atrás — e eu ainda vou pensar em um jeito de te recompensar —, isso não pode acontecer. Beber e dirigir é perigoso.
O tom saiu quase como o de uma mãe preocupada, e Pedro não pôde deixar de esboçar um sorriso discreto.
— Eu não bebo — respondeu ele, simples.
— Desde quando? — Letícia riu, finalmente. A lembrança veio imediata: às vezes em que o ajudava a disfarçar a bebedeira quando ele chegava em casa.
— Desde o “Evento Carla” — disse ele, tentando não sorrir.
Letícia arqueou a sobrancelha, divertida.
— Então a Eduarda te contou que chamamos assim? Aquela traíra… — brincou, sorrindo.
Ela hesitou por um instante antes de completar, em um tom mais baixo:
— Me desculpa, mas eu nunca entendi… como vocês ficaram bem. Como vocês começaram, você sabe…
Pedro soltou uma risada curta.
— Eu culpo você.
— A mim? — ela