Letícia mal sentia o próprio corpo.
O momento em que foi conduzida até a viatura parecia distante, como se estivesse acontecendo fora dela. O ar da noite bateu no rosto, mas não trouxe clareza — só mais confusão. Quando a porta foi aberta e ela foi colocada lá dentro, tudo o que conseguiu fazer foi sentar, as mãos tremendo, o olhar perdido.
Ela tentou organizar os pensamentos.
Tentou.
Mas era como tentar segurar água entre os dedos.
Nada ficava.
Nada fazia sentido.
— Eu não queria… — sussurrou,