PEDRO
O sol do final da tarde banhava a Fazenda Boa Vista com uma luz dourada, quase líquida.
Eu estava de pé debaixo da Figueira centenária. Ao meu redor, duzentas pessoas — a elite empresarial do país, amigos, familiares — ocupavam as cadeiras brancas, murmurando em expectativa. O quarteto de cordas tocava uma melodia suave, mas eu mal ouvia e eu não queria tudo isso de pessoas aqui.
O meu coração batia contra as costelas num ritmo que nenhum monitor cardíaco aprovaria.
— Respire, cara — sussurrou Marcus ao meu lado. Ele estava impecável como meu padrinho, mas vi a mão dele tremer levemente ao ajeitar a lapela. — Você está com aquela cara de quem vai demitir o Conselho inteiro.
Soltei o ar devagar, sem tirar os olhos do caminho de pétalas brancas que levava até à casa.
— Eu não estou nervoso, Marcus.
— Não? Então por que você checou o relógio quatro vezes no último minuto?
— Porque eu esperei a vida inteira por estes próximos cinco minutos. E eu não quero esperar nem mais u