PEDRO
O sol do final da tarde banhava a Fazenda Boa Vista com uma luz dourada, quase líquida.
Eu estava de pé debaixo da Figueira centenária. Ao meu redor, duzentas pessoas — a elite empresarial do país, amigos, familiares — ocupavam as cadeiras brancas, murmurando em expectativa. O quarteto de cordas tocava uma melodia suave, mas eu mal ouvia e eu não queria tudo isso de pessoas aqui.
O meu coração batia contra as costelas num ritmo que nenhum monitor cardíaco aprovaria.
— Respire, cara —