PEDRO
Os portões de ferro da Fazenda Boa Vista abriram-se silenciosamente quando o Aston Martin se aproximou. O segurança da guarita acenou, reconhecendo o carro, mas manteve a discrição.
Eram 4:30 da manhã. O mundo era azul-escuro e cinza, coberto por aquela neblina fria que antecede o sol.
Estacionei em frente à casa principal. Desliguei o motor. O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo canto tímido de um pássaro madrugador.
Isabella mexeu-se no banco ao lado, espreguiçando-se. O vestido de lantejoulas prateadas, agora amassado, capturava a pouca luz da lua.
— Chegamos? — perguntou ela, a voz rouca de sono.
— Chegamos. — Olhei para a casa. Estava escura, exceto por uma luz na varanda. A "General Helena" devia estar a recarregar as baterias ou amanhecendo na festa.
Descemos do carro. O ar da fazenda era limpo, com cheiro de terra úmida e orvalho. Isabella tremeu de frio. Tirei o meu paletó que estava no banco de trás e coloquei sobre os ombros dela.
— Vamos