ISABELLA
Londres amanheceu cinzenta e chuvosa, mas o nosso quarto no The Connaught parecia uma estufa.
Acordei com o cheiro de café expresso e loção pós-barba. Espreguicei-me entre os lençóis de linho, sentindo cada músculo do meu corpo reclamar de um jeito delicioso. As lembranças da cabine do jato voltaram em flashes: a minha saia levantada, a voz rouca de Pedro, a urgência animal dele.
Sorri contra o travesseiro.
— Se você continuar a sorrir desse jeito, vou cancelar todas as reuniões e voltar para essa cama.
Virei-me. Pedro estava de pé, encostado à porta do banheiro. Ele já estava vestido com a sua armadura habitual: calça social preta, sapatos italianos brilhantes e uma camisa branca impecavelmente passada, mas com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas até aos cotovelos, revelando os antebraços fortes e veias saltadas.
Ele segurava uma xícara de café numa mão e o tablet na outra.
— Bom dia, Sr. Contador — provoquei, a voz rouca de sono.
Pedro caminhou até à ca